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John Kerry em visita histórica ao Parque do Memorial da Paz em Hiroxima

Secretário de Estado dos EUA é o mais alto representante do poder executivo norte-americano a visitar a cidade devastada pela bomba atómica. Ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 reforçaram a importância de um mundo livre de armas nucleares.

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John Kerry no Parque do Memorial da Paz, em Hiroxima REUTERS/Kyodo

John Kerry tornou-se o primeiro secretário de Estado norte-americano a visitar Hiroxima, 71 anos depois de a cidade japonesa ter sido devastada pela primeira bomba atómica lançada pelos Estados Unidos. A visita aconteceu na sequência de um encontro de dois dias dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7 no Japão, onde a intenção de promover um mundo livre de armas nucleares marcou a agenda.

Acompanhado pelos restantes representantes do G7, incluindo o ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, Philip Hammond, e o seu homólogo francês, Marc Ayrault, o chefe da diplomacia dos EUA visitou o Parque do Memorial da Paz em Hiroxima. “É uma exibição impressionante e arrasadora”, afirmou Kerry numa conferência de imprensa, depois de visitar o Museu de Hiroxima. “É um lembrete da profundidade da obrigação de cada um nós para criar e procurar um mundo livre de armas nucleares”.

Antes, escreveu no livro de visitas do Museu: “[Este local] é um duro e convincente lembrete, não só da nossa obrigação de acabar com a ameaça de armas nucleares, mas também de dedicarmos todo o nosso esforço para evitar a guerra em si. A guerra deverá ser o último recurso – nunca a primeira escolha."

Apesar de não ser a mais alta figura norte-americana a visitar a cidade arrasada na II Guerra Mundial pelos EUA – essa distinção pertence a Nancy Pelosi, que visitou a cidade em 2008, na altura enquanto presidente da Câmara dos Representantes –, Kerry torna-se o mais alto representante do poder executivo norte-americano a visitar Hiroxima.

Questionado sobre a possível visita de Barack Obama, o secretário de Estado apelou a que todos os líderes mundiais visitassem a cidade. “´Todos` significa mesmo todos. Por isso, espero que um dia o Presidente dos Estados Unidos esteja entre os que possam cá vir. Se poderá vir enquanto Presidente ou não, isso não sei”, afirmou, citado pela Reuters. Obama deverá deslocar-se ao Japão no final de Maio, no âmbito da cimeira dos chefes de Estado e de Governo dos países do G7, e existem rumores de que possa estar a preparar uma visita à cidade de Hiroxima, o que constituiria a primeira visita de um Presidente dos EUA à cidade japonesa desde que esta foi destruída pela bomba atómica em 1945.

Contudo, esta visita poderá ser bastante controversa no país, uma vez que pode ser vista como uma tentativa de um pedido de desculpas. A maioria dos americanos considera que os bombardeamentos foram justificados, na medida em que conduziram ao final da II Guerra Mundial, enquanto a maioria dos japoneses acredita que estes não eram necessários, uma vez que o Japão estava militarmente derrotado. Na manhã de 6 de Agosto de 1945, um bombardeiro do exército norte-americano lançou sobre Hiroxima uma bomba atómica, matando 140 mil pessoas. Três dias depois, a cidade portuária de Nagasáqui foi atingida por uma bomba de plutónio e 74 mil pessoas morreram. O Japão rendeu-se seis dias depois.

Fumio Kishida, ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, considerou a visita dos representantes do G7 como histórica, reiterando o seu significado enquanto mensagem de paz. “Penso que esta primeira visita dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos G7 ao Parque do Memorial da Paz é um primeiro passo histórico para reavivar a necessidade de um mundo sem armas nucleares”, afirmou num comunicado. “Queremos enviar uma forte mensagem de paz para o mundo”, acrescentou.

Os representantes do G7, que para além do Japão, EUA, França e Reino Unido incluem o Canadá, Alemanha e Itália, divulgaram mais tarde um documento assinado em conjunto, a “Declaração de Hiroxima”, onde reafirmam o seu compromisso no desarmamento e na não-proliferação de armas nucleares. “Neste encontro histórico, reafirmamos o nosso compromisso para procurarmos um mundo mais seguro para todos e para criar condições para um mundo sem armas nucleares, de forma a promover a estabilidade internacional”, lê-se no documento. “Esta tarefa torna-se mais complexa devido à deterioração da segurança em várias regiões, como a Síria e a Ucrânia, e em particular pelas provocações constantes da Coreia do Norte”.

A Coreia do Norte recebeu particular atenção por parte dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G7, que reafirmaram num comunicado conjunto a sua condenação aos constantes testes balísticos protagonizados por Pyongyang, que constituem “ameaças graves à paz e à segurança internacional”. “Exigimos que a Coreia do Norte não conduza quaisquer testes nucleares ou lançamento de misseis balísticos, ou se envolva em qualquer outra acção desestabilizadora ou provocadora”.

Texto editado por Hugo Daniel Sousa

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