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Mbongwana Star e Konono nº1: há Congo em Sines

A República Democrática do Congo, e Kinshasa em particular, tem direito a uma representação de luxo: Mbongwana Star e Konono nº1 serão dois dos grandes motivos de celebração da 18ª edição do FMM, a decorrer entre 22 e 30 de Julho.

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Mbongwana Star e Konono nº1 serão dois dos grandes motivos de celebração da 18ª edição do FMM

No ano em que o bailarino e coreógrafo congolês Faustin Linyekula é o Artista na Cidade em Lisboa, também no Festival Músicas do Mundo, em Sines, a República Democrática do Congo, e Kinshasa em particular, tem direito a uma representação de luxo: Mbongwana Star e Konono nº1 serão dois dos grandes motivos de celebração da 18ª edição do FMM, a decorrer entre 22 e 30 de Julho. A comitiva africana contará ainda com lendas do calibre de Khaira Arby, Bitori ou Pat Thomas.

Nascidos das cinzas dos Staff Benda Bilili (SBB), banda de invulgar sucesso meteórico nascida nas ruas de Kinshasa, os Mbongwana Star surpreenderiam com a edição no ano passado de From Kinshasa, álbum que furaria as fronteiras habituais do público das músicas do mundo, tornando-se um dos grandes fenómenos do ano um pouco por todo o lado. Os Mbongwana juntam dois dos fundadores dos SBB, Coco Ngambali e Theo Nzonza, a músicos com metade da sua idade, ajudados pelos recursos electrónicos de Liam Farrell (Doctor L) a sujar ainda mais a sua sonoridade. Depois da triste história tipicamente rock’n’roll das incompatibilidades entre os elementos dos SBB, nem tudo se perdeu. Longe disso.

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Konono nº1 e Batida

O primeiro tema de From Kinshasa, ainda a aquecer para a revolução musical que se segue, une Mbongwana aos Konono nº1, grupo histórico congolês que acaba de lançar o álbum Konono nº1 Meets Batida, produto do encontro em Lisboa com o músico luso-angolano Pedro Coquenão. Em Sines, só os Konono estão garantidos, mas não espantaria que Coquenão e os seus Batida dessem um pulo até ao palco do Castelo.

Também Khaira Arby, conhecida como “rainha dos blues do deserto do Mali”, pisará o palco do festival. Ela que é uma das grandes vozes femininas do país e foi uma das maiores desafiadoras da sharia imposta pelos extremistas religiosos na ocupação pela força do norte do Mali, liderará o grupo a que empresta a sua voz hipnótica, tendo sido comparada pela revista The Wire à grandiosidade histórica de Oum Khaltoum e Edith Piaf. Ao ganês Pat Thomas, autor do muito elogiado Pat Thomas & Kwashibu Area Band, caberá a quota de highlife do festival, enquanto o cabo-verdiano Bitori, recentemente redescoberto através da reedição do clássico do funaná Bitori Nha Bininha (1997) pela Analog Africa, se apresentará para gozar de uma segunda vida de popularidade.

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Khaira Arby, Pat Thomas e Bitori

O FMM acolherá ainda Bamba Wassoulou Groove, rock’n’roll da região de Bambara encabeçado pelo percussionista maliano Bamba Dembélé; a música maloya (cantos de trabalho dos escravos nas plantações açúcar) das Ilhas Reunião interpretada por Danyèl Waro; e o jazz-rock-blues do guineense Moh! Kouyaté, filho mais novo de uma linhagem de griots que se dedica à música desde o século XIII, e em que Moh! empresta um cheirinho de Django Reinhardt, Jimi Hendri ou Joe Zawinul àquilo que ouviu aos seus antepassados. História viva, portanto, em mais uma volta ao mundo.

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