Visto da bancada

Alguns momentos menos mediatizados do 36.º Congresso do PS.

Fotogaleria
Montenegro e Duarte cruzaram-se na hora da maquilhagem para as entrevistas televisivas Adriano Miranda
Fotogaleria
Teresa Azóia, "a Mariza do PSD", foi muito aplaudia pelos congressistas Martin Henrik

A Mariza do PSD

No discurso de sexta-feira, Passos Coelho garantiu no palco do congresso que não irá satisfazer os comentadores que exigem que ele se “reinvente”, mas a verdade é que o 36.º Congresso do PSD teve direito a inovações e estreias. Não querendo ficar atrás do novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que convidou a fadista Mariza a cantar o hino nacional na cerimónia da sua posse, repetindo uma inovação que o Parlamento introduzira no protocolo de cerimónias de Estado, Passos Coelho também teve na reunião magna um ‘momento Mariza’. Logo a abrir os trabalhos, sexta-feira à noite, vestida de cor-de-laranja, a fadista e militante do PSD, Teresa Azóia, que já animou a campanha das legislativas ao lado de Passos, subiu ao palco da Nave Desportiva de Espinho para, durante quatro minutos e meio, interpretar, não “A Portuguesa”, mas um medley de hinos de campanha do PSD. Um tom de festa que a plateia adorou.

O susto de Ruas

Fernando Ruas faz parte da história do PSD e é recebido pelos militantes com carinho, sempre. Neste congresso, a cuja mesa preside, o ex-autarca de Viseu provocou, porém, expectativa e até alguma comoção logo na abertura. É que, furando o programa do congresso, Fernando Ruas foi anunciado como orador, mesmo antes de o líder, Passos Coelho, fazer o seu discurso inaugural de apresentação da sua moção de estratégia global. Perante o anúncio de que ia usar da palavra o presidente da Mesa do Congresso, um momento de espanto e interrogação fez-se sentir na sala. E a dúvida saltou em várias mentes: Será que ele se vai despedir? Afinal, era apenas o agora eurodeputado e histórico dirigente e autarca laranja a exteriorizar o prazer de estar entre a sua gente e a prestar homenagem a Passos.

Frexes e as cerejas

A primeira-noite do conclave ia solta e no palco de Espinho sucediam-se os primeiros subscritores das moções temáticas. Até que chegou a vez do agora de novo deputado Manuel Frexes, um histórico do PSD e destas lides congressuais. Aquele que foi o último secretário de Estado da Cultura de Cavaco Silva e anos depois presidente da Câmara do Fundão, desta vez, fez questão de dizer presente, apresentando uma moção sectorial sobre como “Dar expressão legislativa ao estatuto dos territórios de baixa densidade”. Era manifesto que a importância dada ao tema por Manuel Frexes era imensa. E imensa foi também a tolerância de Fernando Ruas na gestão da cronometragem do tempo usado pelo antigo governante e autarca. No final, contudo, Ruas não se conteve e interpelou Frexes: “Pelo excesso, quero uma caixa de cerejas do Fundão!”

Mano a mano

Ao lado do congresso dos congressistas que se realiza na Nave de Espinho, decorre o congresso para as televisões. Em mini estúdios improvisados junto às bancadas, as figuras de proa e as cabeças coroadas do PSD sucedem-se em entrevistas, muitas vezes saindo de uma para entrar na outra ao lado, num percurso de capelinhas mediáticas. Às vezes, até se cruzam. Foi o caso do líder parlamentar, Luís Montenegro, e do ex-líder da JSD e ex-deputado, Pedro Duarte, que se cruzaram no mini-estúdio da SIC. Quando Montenegro terminava a sua entrevista já Duarte estava a ser maquilhado. E no momento da troca de cadeiras até houve lugar a abraços. Um paisano que observava da bancada, comentou: Será por esta ordem que estes dois vão liderar o partido? Montenegro primeiro, Duarte depois?