FMI preocupado com rating da DBRS para Portugal

Perda do único rating acima de “lixo” teria consequência potencialmente grandes, avisa o Fundo.

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Portugal continua a ter nos ratings uma das suas debilidades Rui Gaudêncio

Um dos principais riscos que enfrenta a economia portuguesa nos próximos meses é a possibilidade de o Estado perder o seu único rating acima da categoria “lixo”, defende o Fundo Monetário Internacional, avisando para a existência de repercussões significativas a nível orçamental, financeiro e macroeconómico caso tal se viesse a concretizar.

No terceiro relatório de monitorização pós-programa relativamente a Portugal tornado público esta sexta-feira, o FMI, para além de alertar para a necessidade de não deixar cair a confiança dos investidores em Portugal, faz questão de lembrar que, entre as agências de notação financeira internacionais aceites pelo BCE, apenas uma, a DBRS, atribui um rating acima do nível “lixo”.

Um cenário em que o rating da DBRS apresentasse uma descida, constitui, segundo o FMI, “um risco de curto prazo com consequências potencialmente grandes”. As repercussões seriam “significativas” a nível orçamental financeiro e macroeconómico.

Em particular, o Fundo explica que a continuação das compras de dívida pública portuguesa por parte do BCE e a capacidade de utilização de garantias para as operações de financiamento dos bancos poderiam ser colocados em causa.

A DBRS poderá assumir uma posição relativamente ao rating português no próximo dia 29 de Abril. Neste momento, a tendência da classificação atribuída a Portugal tem uma tendência “estável”. Os responsáveis da DBRS têm, em entrevistas recentes, feito críticas às reversões efectuadas pelo Governo em algumas das principais medidas do orçamento, mas ao mesmo tempo dizem valorizar o que dizem ser o compromisso do Governo com o cumprimento das regras orçamentais europeias.