Futebol feminino norte-americano exige igualdade nos salários

Cinco jogadoras da selecção dos EUA apresentaram queixa contra a federação por discriminação salarial.

A selecção feminina dos EUA pede o fim da discriminação salarial
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A selecção feminina dos EUA pede o fim da discriminação salarial Charles LeClaire/Reuters

As jogadoras norte-americanas sentem-se injustiçadas com as diferenças salariais existentes entre o futebol feminino e o masculino. Por isso, cinco atletas – Carli Lloyd, Blecky Sauerbrunn, Alex Morgan, Megan Rapinoe e Hope Solo – apresentaram esta quarta-feira uma queixa na Comissão para a Igualdade de Oportunidades Laborais (EEOC, na versão inglesa) em que acusam a federação de futebol dos EUA de discriminação salarial.

A selecção feminina norte-americana tem um palmarés muito superior ao da masculina. Conquistou o Campeonato do Mundo de 1991 e repetiu o sucesso oito anos depois. No último Verão, derrotou a selecção do Japão por 5-2 tornando-se a primeira equipa a levantar o troféu por três ocasiões. Apesar de tudo isto e de gerar um retorno financeiro para a federação cerca de 18 milhões de euros superior ao dos homens, as também campeãs olímpicas, recebem bem menos do que os seus compatriotas.

“Somos as melhores do mundo, vencemos três mundiais e quatro torneios olímpicos”, afirmou a guarda-redes Hope Solo, no programa Today, da NBC.

Em comunicado, Carli Lloyd, eleita a melhor jogadora do Mundial do ano passado, disse que todas foram “bastante pacientes ao longo dos anos, acreditando que a federação alterasse algumas coisas” e as “remunerasse devidamente”. No entanto, segundo Megan Rapinoe, tornou-se claro que “a federação não tem intenção de pagar um salário igual para um trabalho igual”. Actualmente, as jogadoras recebem quatro vezes menos do que os homens.

As cinco futebolistas, que têm o apoio de toda a equipa, solicitam também que se abra uma investigação à federação sobre as ditas diferenças salariais. “Acreditamos que este seja o momento certo, porque é da nossa responsabilidade promover a igualdade e sermos tratadas com respeito”, disse Solo.

“Estou nesta equipa há mais de 15 anos e já passei por inúmeras negociações, mas sinceramente não houve muitas mudanças”, acrescentou a guarda-redes. “Continuam a dizer-nos que devemos estar agradecidas por termos a oportunidade de jogar no futebol profissional e a ser pagas por isso”, concluiu.

Texto editado por Jorge Miguel Matias