Gorila Susie mostra-nos as semelhanças entre eles e nós

Nova sequenciação aperfeiçoa a primeira leitura, de 2012, do genoma dos gorilas.

Fotogaleria
A gorila Susie Cortesia do Parque Zoológico Lincoln de Chicago
Fotogaleria
A gorila Susie Gordon et <i>al</i>/<i>/Science</i>
Fotogaleria
A gorila Susie Amanda Carberry/Jardim Zoológico e Aquário de Colombo/Reuters

Uma gorila chamada Susie ajudou os cientistas a obter novas informações sobre as semelhanças e as diferenças entre as pessoas e estes grandes símios ameaçados de extinção que se encontram entre os nossos parentes vivos mais próximos.

Na edição desta sexta-feira da revista Science, uma equipa de cientistas revelou uma versão aperfeiçoada do genoma dos gorilas, baseando-se na análise do ADN de uma gorila-ocidental-das-terras-baixas (Gorilla gorilla gorilla) de 11 anos que vive em cativeiro nos Estados Unidos e que ajudou a preencher muitas lacunas do primeiro trabalho de descodificação do genoma do gorila publicado em 2012.

Os cientistas recolheram uma amostra de sangue a Susie quando ela vivia no Parque Zoológico de Lincoln, em Chicago (agora está no Jardim Zoológico e Aquário de Colombo, em Powell, no Ohio), que forneceu o ADN para a sequenciação do seu genoma. Além de Susie, a equipa utilizou pequenas sequências genéticas de outros seis gorilas-ocidentais-das-terras-baixas, para compreender melhor a variação genética nesta subespécie.

A nova investigação revela que os gorilas e os humanos são um pouco mais próximos geneticamente do que antes se pensava, com diferenças nos seus genomas de apenas 1,6%. Só os chimpanzés e os bonobos são mais próximos de nós.

Segundo a nova leitura do genoma, encontraram-se, entre outras, diferenças entre os gorilas e nós nas seguintes regiões do ADN: o sistema imunitário e o sistema reprodutivo; a percepção sensorial; a produção de queratina, uma proteína-chave na estrutura do cabelo e dos pêlos; as unhas e a pele; e a regulação da insulina, a hormona que controla os níveis de açúcar no sangue.

“As diferenças entre espécies podem ajudar os cientistas a identificar regiões do genoma humano que estão associadas a uma cognição mais elevada, à linguagem complexa, ao comportamento e doenças neurológicas”, disse Christopher Hill, da Universidade de Washington, em Seattle (EUA), um dos autores do trabalho. “Ter genomas de referência completos e [sequenciados] com precisão para comparações permite-nos descobrir estas diferenças.”

A Universidade de Washington, que encabeçou o estudo, está a trabalhar na criação de um catálogo abrangente de diferenças entre os humanos e os grandes símios: orangotangos, gorilas, chimpanzés e bonobos. Estudos recentes estimaram que as linhagens evolutivas dos gorilas e dos humanos se separaram entre há cerca de 12 milhões e 8,5 milhões de anos.

Os gorilas, que se encontram nas planícies e nas florestas tropicais montanhosas de África central, são os maiores primatas, grupo de mamíferos que inclui lémures, macacos, símios e humanos. Os adultos podem ter até cerca de 200 quilos. Passam metade do tempo a comer caules, rebentos de bambus e uma variedade de frutas. As suas populações estão ameaçadas pelas actividades humanas, como a destruição do habitat e a caça furtiva destinada ao consumo de carne.