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Cientistas criaram carne artificial: vamos comer sem matar animais?

Cientistas de uma start-up dos EUA dizem estar próximos da fórmula perfeita de produção de carne a partir de células estaminais. A ideia tem sido discutida pela comunidade científica há vários anos

Uma equipa de cientistas desenvolveu em laboratório um sistema de produção de carne a partir de células estaminais de animais, colhidas entre nove e 21 dias, que pode impedir o abate em larga escala de animais.

Este sistema utiliza células estaminais, capazes de se renovarem sozinhas, e junta-lhe oxigénio e outros nutrientes, como açúcares e minerais. "É sustentável e livre de crueldade", disse ao The Huffington Post o cardiologista e co-fundador da Memphis Meats, Uma Valeti.

A ideia é discutida há alguns anos pela comunidade científica, que continua em busca de uma fórmula perfeita. Segundo os criadores desta start-up — três cientistas assumidos amantes de carne, mas adversos aos "efeitos colaterais negativos" da produção convencional —, a carne desenvolvida em laboratório não tem os efeitos de saúde perversos que são provocados pela carne de animais, como a contaminação de bactérias ou os níveis elevados de gordura saturada. "É mais segura, mais saudável e mais sustentável", dizem.

A start-up, que recentemente teve um investimento através de um fundo de capital de risco, espera começar a comercializar o produto nos supermercados daqui a cinco anos e nos restaurantes daqui a três.

Os cientistas, a trabalhar no projecto há cerca de três anos, querem começar com a produção com carne de vaca, porco e frango, por serem as mais consumidas mundialmente e aqueles que geram maior impacto ambiental e na saúde. Os testes com a carne de vaca já começaram.

Garantindo que a carne produzida em laboratório será idêntica ao nível molecular e celular, Uma Valeti traça o objectivo final: o dia em que esta "carne cultivada" mude a nossa forma de olhar para esta proteína e em que "a criação de animais para alimentação seja simplesmente impensável".