Opinião

Cartas à Directora

O som que os cubanos querem ouvir

“Hola, Habana! Buenas noches mi gente de Cuba ”.Foi assim que Mick Jagger saudou a multidão de cubanos que assistiu à memorável actuação da famosa banda britânica. Rolou Rolling Stones, em Havana! Contudo, o som que os cubanos querem ouvir é o tilintar de moeda estrangeira. O país de Fidel Castro perdeu alguma fidelidade aos ideais revolucionários que derrubou a ditadura de Fulgêncio Baptista. O heróico povo de Cuba merece um arzinho da sociedade de consumo capitalista. Afinal, estar nas paradisíacas praias cubanas sem o sistema de fotos e vídeo de um Samsung Galaxy A5 de última geração ,é uma pena! Os políticos portugueses, defensores da revolução cubana falam pelos cotovelos, com acesso ao melhor que o capitalismo pode dar! Convém não esquecer o profissionalismo e a alta qualidade da medicina e do ensino público cubano. Conheço quem diga cobras e lagartos do regime fidelista, e tenha levado os filhos para tratamentos oftalmológicos na ilha banhada pelo Caribe. Viva a amizade Portugal-Cuba.

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

 

O descanso desta Páscoa não foi em Portugal

O descanso desta Páscoa não foi em Portugal. É difícil, agora, descansar em Portugal. As imagens, as ruas, o ambiente, para já, ou ainda, não são iguais a si próprias, não são verdadeiras. Existe algo nisto tudo que transforma o país pouco acolhedor. Será falta de dinheiro? Será ignorância? Será inveja? Talvez seja cansaço. Seja porque for; sinto-me melhor fora de Portugal. E isso não é muito bom, porque tenho de viver e trabalhar em Portugal. Naturalmente enquanto puder, e deixarem-me, claro. Se tiver saúde hei-de conseguir. Os portugueses continuam a lutar por muito pouco. Olhem para o país e vejam o que se conseguiu em 42 anos de liberdade e democracia. Estado a mais e as pessoas sempre a lutar por causas justas mas que não deram em nada. A grande parte envelheceu atrás de ilusões, porque quando se se deparavam com o horizonte pela frente as ideias, a imaginação e a criatividade só se refletiam em espelhos, e isso não é nada. E quando não há nada não há futuro. Ainda estamos a tempo de recuperar o que se perdeu; se não pudermos usufruir disso, pelo menos os nossos filhos e netos ficarão mais contentes. 

Gens Ramos, Porto

 

Quem nos anda a roubar décadas a fio?

O artigo do José Amaral, publicado neste espaço no Domingo de Páscoa, deixa a pergunta em título. De facto é triste; o José Amaral, eu e creio que a maioria dos portugueses, esforçamo-nos para não gastar mais do que temos (os que tem) e deparamo-nos com uma dívida, cada português, (ontem) de 37.850 euros que não contraímos. Uma pequena parte dos portugueses, elege de vez em quando uns sujeitos para nos “governarem”. A avaliar pelas notícias que todos os dias nos chegam, o comportamento de muitos não é exemplar. Deixo duas perguntas: Continuamos a votar em quem nos enganou décadas a fio? Será esta a democracia que pretendíamos?

Guilherme da Conceição Duarte, Lisboa