UNESCO saúda ofensiva para libertar a "cidade mártir" de Palmira

Organização diz-se pronta para uma missão de avaliação dos danos causados pelo Estado Islâmico naquele sítio arqueológico que é património da Humanidade.

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Um polícia sírio patrulha as ruínas de Palmira nesta foto de Março de 2014, antes da tomada da cidade pelo Estado Islâmico JOSEPH EID/AFP

A directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, saudou esta quinta-feira num comunicado a ofensiva do exército sírio para retomar a "cidade mártir" de Palmira, actualmente sob controlo do Estado Islâmico (EI), que ali destruiu inúmeros tesouros arqueológicos.

"A destruição de Palmira é o símbolo da limpeza cultural que assola o Médio Oriente", sublinha Bokova, lembrando que aquele sítio arqueológico foi classificado como património mundial

Apoiado no terreno pelos seus aliados (o Hezbollah libanês e as forças especiais russas), o exército sírio entrou na cidade de Palmira para dali expulsar o EI, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) e uma força militar síria. De acordo com a mesma fonte, as forças pró-regime terão já assumido o controlo de uma parte do Vale dos Túmulos, mas avançam "lentamente devido às minas" plantadas pelos jihadistas, indicou à AFP Rami Abdel Rahmane, director do OSDH.

Desde que conquistou Palmira, o EI destruiu tesouros arqueológicos únicos no mundo, como o célebre Arco do Triunfo, testemunho do fulgor desta cidade com mais de dois mil anos

"A destruição dos templos de Baal-Shamin e de Bel, das torres funerárias e do Arco do Triunfo é uma perda imensa para o povo sírio e para o mundo", reiterou ainda a directora-geral da UNESCO

Sublinhando que "a destruição deliberada do património é um crime de guerra", Irina Bokova assegurou que a UNESCO "fará tudo para documentar os danos para que os crimes não fiquem impunes". A organização diz-se "pronta a colocar-se rapidamente no local juntamente com os responsáveis pelo departamento de Antiguidades da Síria, assim que as condições de segurança o permitam, para uma missão de avaliação dos danos e de protecção do inestimável património da cidade de Palmira".