Editorial

O simbolismo de uma sentença

Quase oito anos depois de ter sido capturado, Radovan Karadzic ouviu finalmente a sentença no Tribunal de Haia: 40 anos de prisão por genocídio em Srebrenica, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Quando o julgamento começou, em 2009, o líder dos sérvios da Bósnia alegou primeiro “legítima defesa” por uma “causa justa”; depois, já em 2012, passou à justificação, dizendo que devia “ser recompensado por todas” as suas “boas acções”. Essas “boas acções” incluíram, é bom não esquecer, um massacre que tirou a vida a oito mil homens e crianças; e um bombardeamento sem quartel a Sarajevo que matou 12 mil civis. Três dias de inferno pelos quais ele, que pretendia absolver-se, foi agora condenado e promete recorrer. Para os milhares de vítimas, e seus familiares, a justiça chegou tarde. E é curta. Mas numa guerra onde a crueldade e os crimes foram tão terríveis, de lado a lado, é importante haver uma sentença assim.