Crónica de jogo

Os golos de Jonas não têm hora marcada

Benfica venceu com muitas dificuldades no Estádio do Bessa, graças a um golo do melhor marcador da Liga já em tempo de compensação. Este resultado mantém os “encarnados” na liderança isolada da prova

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Jonas discute o lance com Tahar Francisco Leong/AFP
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Jiménez num remate acrobático que Mika conseguiu travar Francisco Leong/AFP
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Salvio tenta fugir a Mario Martínez e a Afonso Figueiredo Francisco Leong/AFP

Correu quase tudo como previsto ao Boavista no jogo que encheu o Estádio do Bessa mesmo numa noite de chuva. O puzzle que Erwin Sánchez tinha idealizado para baralhar o Benfica foi sendo paulatinamente construído por uma equipa disciplinada e intensa, peça após peça, com a paciência de quem se habituou a saber sofrer. O relógio marcava 90+3’ e os adeptos já enrolavam os cachecóis, quando Jonas, sempre ele, decidiu desfazer uma obra que estava quase completa com um remate que mantém os “encarnados” na liderança isolada da Liga (0-1).

Os responsáveis do Benfica já antecipavam dificuldades na deslocação ao Porto, mas talvez não contassem com uma oposição tão férrea, tão personalizada de um Boavista que nunca se acanhou e que aceitou discutir o jogo nos termos em que o seu plantel lhe permite, sem nunca abdicar de se aventurar em direcção à baliza adversária.

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O Benfica, com Lisandro na convocatória mas ainda fora do jogo, apresentou-se em campo com Samaris ao lado de Lindelof, no eixo da defesa, e André Almeida na posição seis. Nas alas, foi Pizzi quem surgiu na vaga de Gaitán, à esquerda, enquanto Salvio ocupava a ala direita.

Foi por esse corredor que os “encarnados” carregaram preferencialmente o jogo, durante a primeira parte, mas a precipitação de Nelson Semedo em várias saídas de bola e a fase sombria que Salvio atravessa deram pouco resultado. Mérito do Boavista, também, sempre muito compacto a defender, com um duplo pivot incansável (Idris e Tahar) e com os extremos muito solidários nos apoios defensivos.

Intensos na pressão sobre o portador da bola, os anfitriões foram obrigando o Benfica a errar, especialmente porque Tahar nunca deixou de ser uma sombra para Renato Sanches, inviabilizando dessa forma que o actual motor do jogo ofensivo “encarnado” iniciasse com critério a primeira fase de construção.

Não espantou, por isso, que a primeira ocasião de golo tivesse nascido de um lance de bola parada: livre indirecto despejado para a área “axadrezada” e remate acrobático de Raul Jiménez (eleito para substituir Mitroglou), que Mika travou com reflexos felinos, aos 14’.

Eficaz a anular as investidas lisboetas, o Boavista sentiu então que poderia chegar mais longe e a mobilidade de Mário Martínez, à direita, e de Renato Santos, à esquerda, garantia saídas rápidas a explorar a profundidade. Foi numa delas que o espanhol cruzou para as costas de Lindelof, no centro da área, onde surgiu Zé Manuel a falhar o desvio por centímetros (30’). O Benfica precisava de atacar, mas também de se cautelar na defesa.

Para tentar desposicionar o adversário, o líder da Liga tentou uma das suas manobras habituais, que passam pelo recuo de Jonas para receber a bola em zonas mais baixas do terreno, mas o pulmão e a organização dos “axadrezados” pareciam inesgotáveis. Em caso de SOS, de resto, Sánchez sabia que podia sempre contar com a marcação implacável de Paulo Vinícius.

O plano A de Rui Vitória estava a fracassar e a primeira tentativa de agitar o jogo surgiu aos 53’ com a troca de Salvio por Carcela, cinco minutos depois de Renato Santos ter criado a melhor ocasião de golo para o Boavista: Ruben Ribeiro fez um passe de ruptura e o remate do extremo passou perto do poste direito da baliza, após desvio de Lindelof.

Com as mexidas no Benfica, Pizzi voltou ao lado direito e tornou-se mais influente, tendo ficado perto do golo aos 65’, na sequência de uma boa combinação com Eliseu. Sánchez responderia mais tarde, trocando Martínez por Luisinho, que ainda assustou aos 76’, com um remate por cima da trave.

Era a fase do tudo ou nada e, quando o jogo parecia inclinado para o nada (no que aos golos diz respeito), eis que Jonas saiu do “anonimato”. Passe longo de Eliseu, já aos 90+3’, desvio de cabeça de Carcela e desmarcação perfeita do brasileiro, com finalização a condizer. Por essa altura, Jovic já tinha feito a sua estreia absoluta pelo Benfica, mas é Jonas quem leva uma história para contar. A de mais um golo (o 29.º na prova) que mantém o Benfica isolado na frente do campeonato.