Marcelo inicia hoje visita oficial ao Vaticano e Espanha

Viagem a Moçambique só depois das cerimónias do 42º aniversário do 25 de Abril

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Marcelo Rebelo de Sousa Miguel Manso

O Presidente da República inicia hoje a sua primeira deslocação ao estrangeiro, uma semana depois da sua tomada de posse. São visitas oficiais ao Vaticano e a Espanha, nas quais o secretário de Estado das comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, representa o Governo português nesta viagem de dois dias.

A escolha dos destinos do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa tem, obviamente, um significado. O Vaticano foi a primeira entidade a reconhecer Portugal como Estado independente. A independência portuguesa e o título de Rei a Afonso Henriques foram reconhecidos pelo papa Alexandre III, em 1179. Em Roma, na manhã de amanhã, quinta-feira, o papa Francisco recebe o Presidente da República de Portugal em audiência.

Já a opção pela visita a Madrid une a tradição e o pragmatismo. Tradicionalmente, tem sido a Espanha a primeira visita de Estado dos presidentes portugueses, embora neste caso esta seja uma visita oficial. O facto de Espanha ser o país com o qual Portugal tem a sua única fronteira terrestre, e de nas últimas décadas se ter desenvolvido uma importante relação e trocas comerciais entre os dois países – Espanha é um dos principais clientes das exportações portuguesas e tem sido um destacado investidor na economia de Portugal – é um argumento de peso.

Acresce o facto do Rei Felipe VI ter sido um dos dois chefes de Estado – o outro foi o moçambicano Filipe Nyusi -, enquanto Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia que também esteve na tomada de posse de Marcelo, não tem protocolarmente o estatuto de chefe de Estado. Contudo, dada a inserção de Portugal no espaço da União Europeia, a realidade política entre Bruxelas e Lisboa, e a amizade de Juncker por Marcelo, a presença do dirigente comunitário era essencial. Estranho seria que não estivesse.  Na capital espanhola, o Presidente encontra-se na tarde desta quinta-feira com o monarca com quem jantará.

Assim se confirma o objectivo de inovar, quanto possível, que o então candidato Marcelo Rebelo de Sousa admitiu ao PÚBLICO escassos cinco dias antes da sua eleição. E, também, a revelação ao PÚBLICO do seu assessor diplomático, embaixador José Augusto Duarte, de que o Presidente iria combinar os três tipos de visitas – de cortesia, de trabalho e de Estado – para ter uma maior latitude de actuação na política externa. Aliás, a fórmula escolhida permite uma duração mais curta das visitas, o que não lhes retira o carácter simbólico, e a constituição de comitivas mais pequenas e, deste modo, mais ajustadas à realidade económica que o país vive.

Quanto a já anunciada viagem a Moçambique, a decorrer depois das cerimónias do 42.º aniversário do 25 de Abril, o PÚBLICO sabe que ainda não está definido o seu estatuto. Ou seja, se se trata da primeira visita de Estado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Seja como for, assim cumpre uma das metas anunciadas ainda enquanto candidato presidencial. De privilegiar as relações com o mundo lusófono, não apenas africano, embora no caso de Moçambique existam razões de ordem afectiva: o pai do actual Presidente, Baltazar Rebelo de Sousa, foi governador em Lourenço Marques na época colonial, e Marcelo considera-se extremamente ligado àquele país.

A importância presidencial para a realidade lusófona foi também comprovada pela visita, na passada segunda-feira, do Presidente da República à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Lisboa. E, por fim, a atestar o destaque que confere às relações externas de Portugal, 24 horas depois da sua tomada de posse o Presidente da República avistou-se com os embaixadores e chefes de missão estrangeiros no Palácio Nacional da Ajuda.

Na sua intervenção, fez a defesa do multilateralismo da política externa portuguesa, sublinhou que as traves mestras das relações internacionais têm desde a Revolução de Abril uma linha de continuidade e consistência e destacou o amplo consenso político-partidário que suscitam. E, perante diplomatas, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu a candidatura de António Guterres ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. “É certamente, o vulto mais brilhante da minha geração”, assegurou.