A “caranguejola da direita” perdeu a oportunidade de “se endireitar”

Carlos César ataca PSD por não ter contribuído com propostas para o orçamento e desafia a direita a colaborar no Programa de Estabilidade e Crescimento e Plano Nacional de Reformas.

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Carlos César disse que o PSD “não quis servir quem o elegeu nem quis servir para o que foi eleito” Enric Vives-Rubio

Foi com um forte ataque à atitude dos sociais-democratas que o líder da bancada parlamentar socialista encerrou o debate do orçamento: Carlos César disse que ao recusar apresentar propostas de alteração o PSD “não quis servir quem o elegeu nem quis servir para o que foi eleito”.

O também presidente do PS deixou um “desafio” aos dois partidos da direita: que já em Abril participem no debate da orientação das políticas orçamentais contribuindo para o Programa de Estabilidade e Crescimento e o Plano Nacional de Reformas para ajudarem a “construir uma política mais amiga do crescimento e do investimento e estejam na Europa do lado que interessa aos portugueses e que beneficia Portugal”.

“Da ‘caranguejola da direita, que se desconjuntou, foi o PSD que ficou a pé mas não de pé”, apontou o dirigente socialista sobre o processo de discussão do Orçamento. “ [O PSD] ficou à porta da democracia, do lado de fora da procura do melhor para o seu próprio país”, acrescentou, recordando que os sociais-democratas votaram contra mais de 70 artigos idênticos dos do OE2015 que eram da sua autoria. “Esteve aqui a votar conta o que concordava, com a mesma leviandade com que se absteve no que discordava”, criticou Carlos César.

“Esta era a ocasião para o PSD se endireitar e dizer o que faria e entendia melhor para o seu país. Afinal, o PSD nem se cura da aversão à esquerda nem se endireita: entortou-se, ainda vergado pelo despeito partidário e tomado por absoluta paralisia”, insistiu o também presidente do PS, que vincou: “Nós estamos a olhar para a frente – o PSD escolheu ficar a olhar para trás.”

Realçando que o PS e o Governo se empenharam numa “cultura de diálogo” para que o orçamento tivesse “a maior participação possível”, Carlos César lembrou que nos últimos anos foram “sempre rejeitadas” as propostas do PS pela maioria de direita mas agora foram “aprovadas propostas de todos os partidos que as submeteram, inclusive do CDS”.

Carlos César admitiu que se tata de um orçamento que “assenta num equilíbrio delicado de interesses contrastantes, que incluem os dos portugueses individual e colectivamente considerados, os da diversidade parlamentar, os de um contexto económico e financeiro nacional extraordinariamente debilitado, os de uma Comissão Europeia que produz obrigações e os de um sistema financeiro internacional que a constrange e mesmo a ultrapassa”.

Daí que seja, defendeu, um OE de “ponderação, concertação, coerência e comedimento”. O desafio é agora conseguir “os melhores resultados face às metas propostas, adoptando o rigor, o acompanhamento permanente e os mecanismos de alerta indispensáveis”, descreveu Carlos César que afirmou ainda que “cumprir o prometido é a grande marca da política orçamental do Governo do PS”.