Mergulhar nas águas de Omã e descobrir moedas portuguesas

Espólio resgatado de uma embarcação dos séculos XV/XVI que naufragou nas águas do sultanato inclui moedas em ouro e prata e um disco com as armas de D. Manuel I.

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Cruzados em ouro BWR
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Os técnicos em escavação BWR
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O disco com as armas de D. Manuel I e a esfera armilar visível BWR
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O disco quando estava ainda debaixo de água BWR
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Rara moeda em prata, o "índio", descoberta entre os despojos BWR
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Pedaço de cerâmica portuguesa BWR
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Sino em bronze com a data de 1498, ano em que o navio terá sido concluído BWR
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Contas de coralina BWR
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Cruzado de ouro BWR
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Os técnicos em escavação BWR

O anúncio da descoberta, há quase 20 anos, de uma embarcação portuguesa naufragada ao largo de uma das ilhas de Omã, sultanato na Península Arábica, está a instalar o debate. De um lado os que apostam tratar-se de uma nau da carreira das Índias, que terá pertencido à segunda armada de Vasco da Gama, que saiu de Lisboa em 1502. Do outro os mais cépticos – ou cautelosos – que dizem que é ainda preciso estudar muito melhor o espólio resgatado até que se possa ensaiar uma identificação da nau. Ou naus.

É que mesmo entre os que defendem que se trata de um naufrágio português há quem ponha a hipótese de naquele lugar se terem afundado a Esmeralda e a São Pedro, embarcações comandadas pelos tios maternos do grande navegador da Rota do Cabo, Vicente e Brás Sodré.

Numa conferência de imprensa realizada nesta terça-feira em Mascate, capital do sultanato, o Ministério do Património e da Cultura de Omã e a Blue Water Recoveries, uma empresa britânica de salvados que dirige o projecto de investigação em torno deste sítio identificado em 1998 mas escavado apenas a partir de 2013, avançaram pormenores sobre os 2800 artefactos trazidos do fundo do mar, em campanhas sucessivas, por uma extensa equipa que inclui investigadores portugueses. E mostraram fotografias.

Entre os objectos resgatados estão moedas em ouro e prata, um disco com as armas de D. Manuel I, contas de coralina e de ágata, balas de canhão em pedra e ferro e um sino de bronze que, segundo os investigadores, sugere que a embarcação terá sido concluída em 1498.