Assunção propõe reformas na Segurança Social e Banco de Portugal

A recém-eleita líder do CDS apresentou quatro propostas de reformas. Passos Coelho reiterou que os centristas se mantêm como o "parceiro preferencial".

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Nuno Melo, Assunção Cristas e Adolfo Mesquita Nunes entoam o hino nacional Nélson Garrido
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Portas congratula Cristas após o discurso de encerramento do congresso Nélson Garrido
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Assunção Cristas a votar MARTIN HENRIK
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No discurso de encerramento do Congresso do CDS-PP, Assunção Cristas, a líder eleita por larga maioria, avançou com algumas propostas para serem estudadas pelo partido: uma reforma na Segurança Social e a alteração na nomeação do governador do Banco de Portugal. No próximo desafio eleitoral das autárquicas — depois das regionais nas Açores —, a nova presidente do partido quase sugeriu uma candidatura que dispensa o PSD.

A sucessora de Paulo Portas recuperou uma das batalhas da coligação PSD/CDS: a reforma do sistema de pensões, na qual os socialistas sempre recusaram participar. Assumindo que “há um problema”, Assunção Cristas comprometeu-se em avançar com um estudo e fazer propostas aos “demais partidos”. “Veremos qual a posição do PS, e se o PS recusar cairá a máscara a António Costa”, desafiou.

Na segunda prioridade das quatro que definiu, já a demarcação com as posições do PS é total. É a regulação bancária que o CDS quer “eficaz” e que passa por uma mudança no “sistema de designação do governador do Banco de Portugal”, embora a alteração não tivesse sido especificada.

“Todos estamos cansados de ver bancos a cair e a supervisão a lamentar por não o ter conseguido evitar. Não sou de ignorar os problemas. Dizer que o modelo tem de ser melhorado não é criticar pessoas. Não embarcamos na politização da regulação bancária tal como fez o PS”, afirmou, numa intervenção em que foi recebendo muitas palmas.

Outra das prioridades é a “revisão” do regime laboral de direitos entre o sector público e privado. Porque “há dois países”, quando uns trabalham 40 horas e outros 35. Assunção Cristas prometeu estudar ainda a forma de alargamento da ADSE — o sistema de assistência médica — a “todos os portugueses que queiram aderir”, para deixar de ser um exclusivo dos funcionários públicos. Na economia, a nova líder propôs que sejam identificados os obstáculos à criação e ao desenvolvimento das empresas.

No horizonte da nova liderança estão também as eleições autárquicas em 2017. Depois de um recorde de coligações com o PSD em autarquias nas últimas eleições, Assunção Cristas não quer aplicar uma “receita única” para todos os concelhos, mas apenas dar uma orientação geral. São para manter as que “estão a correr bem” como Aveiro e Cascais, por exemplo. No Porto, a líder já reiterou o apoio ao independente Rui Moreira, caso venha a recandidatar-se. Em Lisboa, quase sugeriu que o CDS vá sozinho. Falou em “coragem de abraçar” uma candidatura “forte, ambiciosa e mobilizadora”, à semelhança do que representou a presidência de Nuno Krus Abecasis.

Já sobre as legislativas, “sem data nem hora marcadas”, Assunção Cristas não voltou a dizer que quer o CDS a concorrer sozinho. Mas reiterou que o partido vai fazer uma “oposição acutilante a este Governo apoiado nas esquerdas radicais” e “denunciando erros”. Criticou a “governação irresponsável e errática” do PS que dá “o que não tem” e disse esperar que o CDS não venha a ser chamado a arrumar a casa. “Oxalá as contas à moda socialista batessem certo, não foi assim, não é assim. Digo isto com pena, não sou adepta do quanto pior melhor”, afirmou, sem esquecer a votação final do Orçamento do Estado nos próximos dias: “O Orçamento é uma ilusão, é o ideal para entrar em vigor no dia 1 de Abril”.

Depois de deixar um elogio a Paulo Portas — e de assumir a “responsabilidade de lhe suceder” —, Assunção Cristas enalteceu a paridade na cúpula do partido, com dois homens e duas mulheres nas vice-presidências.

PS adia resposta
No final do congresso, o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, o socialista Pedro Nuno Santos, presente no pavilhão de Gondomar, não respondeu a nenhum dos desafios lançados pela líder do CDS, remetendo qualquer posição para quando as propostas concretas chegarem ao Parlamento para serem avaliadas “com toda a abertura que caracteriza o Governo”.

“Este é o momento de encerramento do congresso do CDS e aquilo que nós desejamos é felicidades e sucessos à nova liderança”, declarou o secretário de Estado, que representou o Governo no fecho dos trabalhos da reunião magna dos centristas.

No PSD o registo foi idêntico. Pedro Passos Coelho evitou falar de reformas e disse que os sociais-democratas vêm o CDS como um parceiro preferencial com o qual têm “proximidade e cumplicidade” e “não um adversário político que é preciso combater”.

Apesar da insistência dos jornalistas, o líder do PSD não cedeu a responder a nenhuma das questões lançadas por Assunção Cristas. “Não estamos a olhar para o CDS nem olharemos como quem olha para um adversário político que é preciso combater. Estaremos à espera que o CDS possa consolidar e crescer no seu espaço político e isso será bom, com certeza, para o futuro do país”, sublinhou Passos Coelho.

Quem é Assunção Cristas?