Piloto da Germanwings visto por vários médicos até duas semanas antes do desastre

Um dos médicos aconselhou Andreas Lubitz a procurar tratamento numa clínica, mas nenhum deles alertou as autoridades. Relatório recomenda mais equilíbrio entre sigilo profissional e possíveis ameaças à segurança pública.

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Andreas Lubitz numa fotografia tirada em 2009 Foto-Team-Mueller/Reuters

O co-piloto alemão que provocou a queda de um avião da Germanwings em Março de 2015 consultou vários médicos nos meses que antecederam o desastre e um deles recomendou-lhe que procurasse tratamento psiquiátrico numa clínica.

A revelação foi feita pelos responsáveis da autoridade francesa que investigou a queda do Airbus A320, durante a apresentação do relatório final, este domingo.

Segundo os investigadores, Andreas Lubitz começou a ter sintomas consistentes com um episódio de depressão psicótica em Dezembro de 2014, três meses antes de se ter trancado na cabina e de ter provocado a queda do avião da Germanwings nos Alpes franceses, matando todas as 150 pessoas que seguiam a bordo.

O relatório avança que Lubitz procurou a ajuda de vários médicos entre Dezembro de 2014 e Março de 2015, e que duas semanas antes do desastre um deles o aconselhou a procurar tratamento psiquiátrico. Ainda segundo os investigadores, nenhum dos médicos alertou nem as autoridades de aviação civil, nem a empresa para a qual Lubitz trabalhava – a Lufthansa.

Apesar de os investigadores terem descoberto provas de que o co-piloto tinha problemas de visão, que temia perder o seu posto de trabalho e que fez pesquisas sobre métodos de suicídio, nenhum dos pilotos que voaram com ele reportou qualquer suspeita.

O relatório diz ainda que as informações sobre as consultas de Andreas Lubitz foram obtidas na Alemanha, mas sublinha que nenhum dos médicos aceitou falar com os investigadores.

O documento final faz referência a "uma falta de orientações claras na regulamentação alemã" sobre o conflito entre o sigilo profissional dos médicos e a suspeita de uma possível ameaça à segurança pública e recomenda que as autoridades europeias apertem as regras dos exames que as companhias fazem aos pilotos com um histórico de problemas psicológicos ou psiquiátricos, por mais leves que sejam.

Andreas Lubitz estava autorizado a voar mesmo depois de ter registado um "grave episódio depressivo" entre Agosto de 2008 e Julho de 2009. Essa autorização previa que o piloto fosse impedido de voar se voltasse a registar um novo episódio depressivo.

Quem era Andreas Lubitz?

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