Sangue Novo

Jovens designers que vão à caça da cultura urbana premiados na ModaLisboa

Sangue novo com prémio duplo. Houve ainda um mergulho no mar grego e teatralidade na primeira noite da 46.ª edição do evento.
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Ao final da tarde desta sexta-feira, os nove jovens designers do concurso Sangue Novo inauguraram a passerelle da ModaLisboa com casa cheia. David Catalán mostrou um Inverno de malhas compridas e impermeáveis em preto, amarelo e vermelho. Os seus cortes rígidos contrabalançados com formas andróginas foram escolhidos para estar em Julho no festival holandês Fashion Clash. Já os caçadores de Patrick de Pádua, equipados com bombers e bonés de pelo, impermeáveis e fatos inteiros em felpa dourada, estarão à venda na loja ComCor, em Lisboa – o designer foi assim distinguido pelo júri e passará, na próxima edição, para a plataforma de micromarcas LAB.

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No desfile colectivo da plataforma de novos talentos houve blocos de cor em roupas utilitárias e estampados gráficos (Banda), ganga em macacões ripados e calças de corte direito (Tânia Nicole), argolas em coletes e sobretudos com silhuetas dos anos 1970 (Carolina Machado), uma libertação dos jovens Amish com o tom negro a dar lugar à ousadia da cor (Ruben Damásio), neoprene fino num vestido rosa, polipele em camisolas e calças e casacos de diferentes texturas (Cristina Real), homens de saias e longos casacos de pêlo (Inês Duvale) e outras misturas de ganga inspiradas no trabalho do artista português Vhils (Sara Santos).

Nair Xavier compôs os seus homens com calças de corte clássico sem descurar o conforto das malhas e das camisas em pele de pêssego, agasalhando-os com camadas e faixas quentes juntas ao pescoço. Foi um mergulho no mar da ilha grega de Kalymnos em busca de esponjas naturais e um regresso à “atitude cool” dos anos 1960, descreve a designer.

O desfile do estreante David Ferreira foi de exuberância rosa e vermelha – as cores de uma colecção para espectáculo que quis reflectir uma sociedade obcecada com a imagem. É "glamour, beleza, extravagância e luxo”, diz, inspirado nos mestres teatrais da moda: John Galliano na Dior, Alexander McQueen ou Christian Lacroix. É Marie Antoinette com saias armadas com varetas em feltro vermelho com pérolas, vestidos compridos em cetim duplo, folhos ou mangas volumosas em pêlo.

Valentim Quaresma impôs depois Domination no Pátio da Galé, uma colecção de joalharia de autor em fundo negro de leões, caveiras, resinas e brilhos entre o cyberpunk e o oriente. Com Joana Amaral Cardoso