Álcool no sangue aumenta 140 vezes o risco de morte de condutores em acidentes

Dados do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses revelam que, de 2010 a 2012, 35,9% dos condutores mortos em acidentes de viação tinham taxas de alcoolemia ilegais.

Este fim-de-semana foram registados 362 acidentes
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Este fim-de-semana foram registados 362 acidentes Foto: José Carlos Coelho

O risco de morte dos condutores em acidentes de viação com taxas de alcoolemia consideradas crimes aumenta em cerca de 140 vezes face aos que conduzem sem álcool, concluiu a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP). As conclusões divulgadas esta quarta-feira surgem após as mais de cinco mil observações realizadas pela Prevenção Rodoviária Portuguesa, com o apoio da PSP e da GNR, junto de ciclistas, motociclistas e condutores de veículos pesados e ligeiros.

A PRP adianta que, em média, em cada mil condutores portugueses que circulam nas estradas, 18 conduzem com taxas de álcool consideradas ilegais e pelo menos 86 conduzem depois de terem consumido bebidas alcoólicas, ainda que dentro dos limites estabelecidos pela legislação.
Nas observações efectuadas aleatoriamente, a PRP verificou que 1,80% dos condutores controlados apresentavam taxas ilegais (taxa de álcool no sangue superior a 0,50 gramas por litro), dos quais 0,33% apresentavam taxas superiores a 1,2 gramas por litro, que a legislação tipifica como crime.

A PRP, citando dados do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses (IMLCF) de 2010 a 2012, indica igualmente que 35,9% dos condutores mortos em acidentes de viação tinham taxas de alcoolemia ilegais, sendo que a grande maioria dos casos (26,1%) apresentavam taxas iguais ou superiores a 1,20 gramas por litro, em contraste com os restantes 9,8% de condutores, que tinham taxas ilegais situadas entre os 0,5 e 1,19 g/l. Após a análise das observações e da correlação com os dados do IMLCF, a PRP conclui que o risco de morte em acidentes de viação, em Portugal, aumenta, em média, entre nove e doze vezes para os casos das taxas que são consideradas como contra-ordenações graves e muito graves e mais de 140 vezes para as taxas consideradas como crime.

O presidente da PRP, José Miguel Trigoso, considerou "fundamental tirar completamente da circulação todos os casos em que os condutores apresentem estas taxas de alcoolemia, nomeadamente para protecção das vítimas inocentes que decorrem dos acidentes por eles causados"
O responsável lamenta ainda que "estes casos continuam a ser tratados com uma extrema benevolência pela parte dos tribunais". Das observações feitas, a PRP constatou também que a taxa de álcool no sangue variou significativamente com o género dos condutores.

De acordo com a PRP, em cada mil condutores do sexo masculino, 126 beberam antes de conduzir, dos quais 22 apresentaram taxas ilegais, sendo que apenas neste grupo de condutores se verificaram observações de taxas "crime". Quanto às condutoras, apenas 47 beberam antes de conduzir e dessas oito acusaram taxas ilegais. A Prevenção Rodoviária Portuguesa refere também que os condutores na faixa etária dos 18 aos 25 anos apresentam taxas de álcool ilegais mais elevadas, verificando-se um decréscimo com o aumento da idade.

No entanto, a PRP realça que as grandes diferenças nas taxas de álcool no sangue observadas decorrem dos horários: De manhã, em cada mil condutores em circulação nos dias de semana (entre as 10h e as 12h) 23 tinham presença de álcool no sangue, dos quais nove em quantidade ilegal. Durante as noites de fins de semana (entre as 3h e as 5h), em cada mil condutores, 243 acusavam presença de álcool no sangue, dos quais 70 em quantidades ilegais.