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Coreia do Norte dispara mísseis para o mar depois de aprovadas novas sanções

Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade as sanções mais duras dos últimos 20 anos. Disparos foram inofensivos.

Um soldado norte-coreano lê um livro na fronteira com a China, em Sinuiju, zona de comércio porosa que poderá minar as novas sanções.
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Um soldado norte-coreano lê um livro na fronteira com a China, em Sinuiju, zona de comércio porosa que poderá minar as novas sanções. Johannes Eisele/AFP

O regime norte-coreano disparou seis mísseis de curto-alcance para o mar do Japão durante a madrugada desta quinta-feira, presumivelmente como resposta à aprovação, horas antes, de um novo e mais severo conjunto de sanções internacionais pela mão das Nações Unidas. Os projécteis sobrevoaram entre 100 e 150 quilómetros do mar que separa as duas penínsulas antes de se despenharem inofensivamente.

Pyongyang faz este tipo de disparos com alguma frequência, como pequenas demonstrações da força e irreverência do regime. Coincidem habitualmente com exercícios militares nos vizinhos Coreia do Sul e Japão ou, como é agora o caso, com novas condenações internacionais aos programas nuclear e balísticos proibidos pelas Nações Unidas. Coreia do Norte e Estados Unidos disseram que estão a analisar os disparos desta quinta-feira.

Horas antes do lançamento dos seis mísseis, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade aquele que diz ser o conjunto de sanções ao regime norte-coreano mais severo dos últimos 20 anos. É o resultado de quase dois meses de negociações entre os Estados Unidos e China, a mais importante aliada do regime, insatisfeita com a detonação de um dispositivo nuclear em Janeiro, e o lançamento de um foguetão com tecnologia balística em Fevereiro.  

As novas sanções proíbem o comércio internacional com a Coreia do Norte de ouro, metais preciosos, combustível para aviação e mísseis, assim como carvão, ferro e minérios de ferro que possam ser usados pelo seu programa nuclear. Qualquer navio de carga em direcção ou de regresso do país deverá ser agora inspeccionado, não apenas os que se suspeita poderem transportar armas ou materiais sancionados, como até agora acontecia. O embargo ao envio de armas à Coreia do Norte é agora total e inclui pequeno armamento.

“A comunidade internacional, falando a uma só voz, enviou uma mensagem simples a Pyongyang: a Coreia do Norte tem de abandonar estes programas perigosos e escolher um melhor caminho para a sua população”, declarou Barack Obama num comunicado divulgado depois do voto unânime nas Nações Unidas.

Dependerá agora da China o cumprimento das novas regras, como país aliado responsável por uma fronteira porosa com a Coreia do Norte, 90% do seu comércio e garante da sobrevivência do regime. Pequim receia que a aplicação extrema de sanções aos norte-coreanos possa desencadear uma resposta radical da parte do regime, o que, por sua vez, poderia espoletar um conflito na sua fronteira. A China insistiu na quarta-feira em retomar as negociações com a Coreia do Norte interrompidas em 2009.

Há reservas sobre o nível de compromisso que a China estará disposta a assumir na execução das novas sanções. “Pode parecer que a China está a cooperar, mas isso é apenas à superfície”, argumentou à Reuters o académico sul-coreano Kim Dong-yub, da Universidade de Kyungnam, que sublinha várias ligações terrestres entre os dois aliados. “Até que se encerrem estas rotas de comércio, será muito difícil que as sanções realmente entrem em vigor.”

 

 

 

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