Do Japão à Suécia, casos recentes de fama mundial

A fraude científica da japonesa Haruko Obokata, relativa à investigação sobre células estaminais, deu muito que falar nos últimos dois anos.

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A investigadora japonesa Haruko Obokata a pedir desculpa pelo seu erro em Abril de 2014 JIJI PRESS/AFP

Nos últimos anos, os casos de fraude ou manipulação em investigações científicas têm-se tornado cada vez mais visíveis. No início deste ano, a Organização Europeia de Biologia Molecular (EMBO) também retirou a sua medalha de ouro ao biólogo francês Olivier Voinnet, professor numa das mais prestigiadas universidades da Suíça, a ETH de Zurique. Aquele cientista admitiu ter manipulado dados em vários artigos, sete dos quais deram origem à retirada de artigos de publicação. O financiamento que então recebia do Estado suíço foi congelado e foi afastado de qualquer candidatura para financiamento durante três anos.

Em Fevereiro deste ano, o vice-chanceler do Instituto Karolinska, na Suécia, Anders Hamsten, que também era secretário-geral do Comité Nobel, teve de se demitir depois de terem sido reveladas provas de que tinha protegido o cirurgião Paolo Macchiarini, acusado de manipular os resultados da técnica de transplante de traqueias artificiais em que tinha trabalhado entre 2011 e 2014. A inovação era anunciada como um grande avanço na medicina regenerativa, mas seis dos oito doentes acabariam por morrer.

O caso mais famoso de todos é, provavelmente, o da cientista japonesa Haruko Obokata, que foi notícia durante todo o ano de 2014. Primeiro por boas razões: a investigadora, então com 30 anos, anunciou um novo método extraordinariamente simples de criação de células estaminais semelhantes às dos embriões, utilizando células especializadas do corpo e forçando-as a regressar a uma infância celular.

O escrutínio público destes resultados manifestou-se logo numa série de dúvidas mal foram publicados, na edição em papel da revista Nature de 30 de Janeiro de 2014, com acusações de manipulação de imagens e plágio. Em Abril, um comité criado para investigar as acusações de fraude pelo Centro RIKEN para a Biologia do Desenvolvimento, no Japão, onde trabalhava, concluiu ter havido má conduta científica da parte de Obokata, ao ter misturado imagens de experiências diferentes e usado dados de trabalhos anteriores no artigo principal, o que acabou por levar à retirada dos dois artigos publicados na Nature.

Nos meses seguintes, a investigadora tentou voltar a produzir células STAP – a sigla em inglês de “aquisição de pluripotência desencadeada por um estímulo” –, mas sem sucesso. Acabou por se demitir no final do ano. Antes disso, em Agosto do ano passado, Yoshiki Sasai, de 52 anos, cientista sénior e um dos autores dos artigos, suicidou-se.O assunto acabaria ainda por levar à saída da direcção do RIKEN, Ryoji Noyori, em Março de 2015.