Jovens de 18 anos passam a receber cheques-dentista

Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral passa a abranger também jovens de 18 anos. Até agora cheques eram distribuídos só até aos 16 anos.

Este ano, o programa de saúde oral conta com 16,5 milhões de euros
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O programa dos cheques-dentista foi criado em 2007 e começou a ser operacionalizado em 2008 Nelson Garrido

Os jovens de 18 anos incluídos no Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral (PNPSO) passam, a partir desta terça-feira, a receber cheques-dentista. “Os jovens que foram tratados aos 16 anos no âmbito deste programa [e agora têm 18] passam a ter direito a cheques-dentista”, explica o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro da Silva, acrescentando que a Direcção-Geral da Saúde vai agora operacionalizar este alargamento que foi decidido ainda pelo anterior Governo.

O programa vai também abranger os infectados com VIH/sida que já não façam tratamentos há mais de dois anos, e que passam a receber dois cheques-dentista para um ciclo de tratamentos. Deverão ainda ter direito a cheque-dentista as crianças e jovens de 7, 10 e 13 anos com necessidades especiais de saúde, nomeadamente com doença mental, paralisia cerebral ou trissomia 21 e que não tenham ainda sido abrangidos por este programa que está no terreno desde 2008.

Assim, a partir desta terça-feira, as crianças e jovens portadores de deficiência que precisam de sedação para tratar dos dentes vão ter acesso a cheques-dentista e poderão ser tratados nos serviços de estomatologia dos hospitais, adianta a Lusa. Até à data, o programa dos cheques-dentista abrangia crianças de 7, 10, 13 e 15 anos que frequentem as escolas públicas, idosos com complemento solidário, grávidas e infectados com VIH/sida.

O programa dos cheques-dentista foi criado em 2007 e começou a ser operacionalizado em 2008, tendo já distribuídos um total de mais de 3,5 milhões de cheques que abrangeram cerca de 2,2 milhões de pessoas, adianta o bastonário da OMD. A taxa de utilização destes cheques atinge uma média de 74%. “Tem sido um sucesso”, diz Orlando Monteiro da Silva.

O que também vai avançar em breve, e por decisão do actual Governo, são experiências-piloto já anunciadas em Lisboa e Vale do Tejo e no Alentejo, que passam pela inclusão de 15 médicos dentistas em centros de saúde das duas regiões que se vão juntar aos mais de 20 especialistas que já existem nos cuidados de saúde primários. A experiência será avaliada no final do ano para se decidir um eventual alargamento, explica o bastonário da OMD.

Entretanto, a Direcção-Geral da Saúde apresentou os resultados do 3.º Estudo Epidemiológico Nacional das Doenças Orais que, pela primeira vez, inclui resultados sobre o estado da saúde oral dos portugueses com 18 anos, entre os 35-44 anos e os 65-74 anos de idade.

Desenvolvido em parceria pelo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral e a Ordem dos Médicos Dentistas,  o estudo incidiu sobre uma amostra representativa constituída por 6315 indivíduos e abrangeu as cinco administrações regionais de saúde, bem como as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. O trabalho de campo, que começou no final do ano de 2012 e terminou em 2014, permitiu perceber que, aos 12 anos, as crianças tinham, em 2013, muito menos dentes cariados, perdidos e obturados do que no ano 2000. 

Também a percentagem de crianças com gengivas saudáveis aumentou, passando de 29% (aos 12 anos), em 2000, para 51,7%, em 2013.  De igual forma aumentou o número médio de dentes com selantes de fissura e a percentagem de crianças e jovens que escovam os dentes à noite, antes de deitar, que passou dos 35% (aos 6 anos), em 2006, para 84%, em 2013.