Banco angolano de Isabel dos Santos já detém mais de 2% do BPI

Banco BIC passou a deter uma participação qualificada, numa altura em que o BPI ainda não chegou a consenso para resolver problema da exposição a Angola.

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Isabel dos Santos quer garantir o controlo do banco angolano do BPI Fernando Veludo

O Banco BIC, com sede em Angola e cujo maior accionista é Isabel dos Santos, detém agora 2,28% do capital do BPI. O anúncio foi feito esta sexta-feira ao início da noite através de uma comunicação do BPI ao regulador do mercado de capitais, a CMVM, por se tratar de uma participação qualificada (superior a 2%).

De acordo com o documento, 1,9% do capital do BPI é detido directamente pelo BIC e o restante através de Fernando Teles, segundo maior accionista do BIC e presidente do conselho de administração do banco, e de Fernando Duarte, administrador da instituição financeira angolana (além de deter uma pequena participação accionista, de 1%).

O BIC é um dos maiores bancos angolanos, cabendo a Isabel dos Santos a maior posição accionista, com 42,5%. Segue-se Fernando Teles, com 37,5%. Ambos reforçaram a sua presença em 2014, e, somados, detêm actualmente 80% do capital. A instituição está também presente em Portugal, através do BIC Portugal.

No BIC Portugal, gerido por Mira Amaral, Isabel dos Santos também detém 42,5% do capital, cabendo a Fernando Teles outros 37,5%, após terem comprado, em Setembro de 2014, os 25% que estavam com Américo Amorim.

O documento não refere as datas em que as acções foram adquiridas, mas só agora foi comunicado que passou a deter uma participação superior a 2%. No último relatório e contas disponível do BIC, referente a 2014 (o de 2015 ainda não está disponível), não se encontra qualquer referência à detenção de acções no BPI. Neste momento, o BIC surge como o quinto maior accionista, após a HVF, da Violas Ferreira Financial (que detém 2,68%).

A participação qualificada do BIC no BPI surge numa altura em que os accionistas do banco liderado por Fernando Ulrich ainda não se entenderam na forma de resolver o que o BCE diz ser uma exposição excessiva a Angola. Isabel dos Santos, que detém 19% do BPI (é o seu segundo maior accionista), rejeitou recentemente uma proposta do BPI para avançar com um processo de cisão simples, em que replicava o modelo accionista do banco, separando numa entidade distinta os activos africanos (BFA, em Angola; e BCI, em Moçambique). O BFA, por sua vez, é detido a 51% pelo BPI e em 49% pela Unitel, operadora de telecomunicações angolana controlada por Isabel dos Santos.

Ao mesmo tempo, a administração do banco quer uma assembleia-geral, que ainda não tem data marcada, para debater o fim da blindagem dos direitos de voto, limitados a 20%. Para Isabel dos Santos, isso só fará sentido num quadro de consolidação (tendo já proposto uma fusão com o BCP). É neste quadro que o BIC, já depois de ter crescido em Portugal com a compra do BPN, tem agora mais de 2% do capital do BPI.