Hugh Laurie é “a pior pessoa do mundo” na TV — mas agora em O Gerente da Noite

Depois de House, a minissérie põe o actor no mundo da espionagem e do tráfico de armas ao lado de Tom Hiddleston. A partir de quarta-feira na televisão portuguesa.

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Tom Hiddleston e Hugh Laurie AMC
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Hugh Laurie tem aqui o seu segundo papel televisivo desde House, a série que o tornou internacionalmente conhecido AMC
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Susanne Bier realiza todos os episódios da série AMC
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Olivia Colman interpreta Angela Burr AMC
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A rodagem durou 17 semanas e passou por Marrocos, Suíça e Londres AMC
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Tom Hiddleston é Jonathan Pine, papel que esteve para ser de Brad Pitt AMC

Hugh Laurie, um irresistível traficante de armas, contra Tom Hiddleston, um agente infiltrado quase candidato ao lugar de James Bond. O Gerente da Noite adapta para uma minissérie de seis episódios o primeiro romance pós-Guerra Fria de John Le Carré  uma história que escapou a Hollywood e a Brad Pitt e foi parar às mãos de Susanne Bier, que decidiu mudar a visão da série. “O mundo tradicional dos espiões é muito masculino, branco e educado em colégios privados. E o mundo já não é assim”, diz ao PÚBLICO.

A realizadora dinamarquesa, que tem em casa o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro por Num Mundo Melhor, conseguiu o que queria. E mais ainda. “Sempre tive inveja de quem tivesse a oportunidade de trabalhar com” a escrita de John Le Carré, um dos mais reputados escritores de espionagem e crime, explica. E "trabalhar com Tom Hiddleston e Hugh Laurie era irresistível". Bier estreia-se assim com uma ambiciosa produção da BBC e do canal AMC (com orçamento de 27 milhões de euros) e numa altura em que “a televisão não podia ser mais atraente” – elogia a qualidade dos guionistas e a possibilidade de contar histórias mais longas, “mais complexas”.

A Paramount chegou a ter os direitos do romance O Gerente da Noite (1993) e tinha planos para o entregar a Sydney Pollack. Mais tarde, e já nas mãos de outra produtora, Brad Pitt esteve para ser um dos protagonistas da história, mas o projecto voltou a perder-se nas burocracias de Hollywood. Agora, é a televisão que o recebe, com estreia em Portugal no canal AMC (Meo e Cabovisão) às 22h10 na quarta-feira.

Quatro anos depois de House, Laurie faz mais seis episódios de televisão (no ano passado entrou na comédia Veep) e volta aos ecrãs como “o pior homem do mundo”, como lhe chama Bier, citando por seu turno uma das personagens da série. Espionagem, tráfico de armas, terrorismo  mais um genérico à moda de 007 e uma produção luxuriante. “É incrivelmente relevante para os dias que correm e foi actualizado em relação ao original: o livro passa-se nos anos 1990 e a série foi colocada nos dias de hoje”, precisa Bier ao telefone.

“O que é mais chocante em toda a investigação que fizemos antes de filmar a série, o que foi abundantemente claro”, enfatiza, “é a facilidade com que se traficam armas incrivelmente fatais.” E depois há “o pior homem do mundo, que trafica armas e que o faz com tanta facilidade, tanta elegância e tanta diversão que todos queremos estar no mundo dele; apesar de ser um mundo incrivelmente malvado”, entusiasma-se.

Quando Hugh Laurie conheceu a sua personagem, Richard Onslow Roper, nas páginas de Le Carré e no guião, abominou-o. Mas, ao mesmo tempo, “há algo de inebriante numa pessoa que se pôs para além dos limites da lei, que tem [esse tipo de] confiança, de ousadia, esse tipo de loucura”, disse o actor aos jornalistas na semana passada no Festival de Berlim, onde a série teve a sua antestreia. Gregory House esteve por lá também, em pensamento. “Penso muito nele… acho que vai ficar comigo até morrer”, comentou Laurie sobre a personagem que o define para o grande público.

Já Tom Hiddleston, galã britânico e ícone da Internet, parece ter aqui, como escreveu um crítico americano, uma longa audição para substituir Daniel Craig como James Bond. Na série, é um ex-militar britânico, Jonathan Pine, que tenta entrar no mundo de Laurie, aliás Roper, o perigoso e sedutor traficante de armas. Quem coloca Pine no caminho de Roper no livro “era um homem chamado Burr – um homem bruto, pesado”, conta John Le Carré.

“Mas, em 2015, queremos isto? Um homem branco de meia-idade contra outro homem branco de meia-idade e usando um terceiro homem branco” como arma, questiona o romancista de 84 anos numa carta incluída no material promocional da série. A versão televisiva, escrita por David Farr, conta então com Angela Burr, interpretada por Olivia Colman. Uma agente secreta e não um agente secreto. Susanne Bier é adepta da mudança de perspectiva em prol da diversificação das histórias que se contam no audiovisual americano. “Se queremos fazer uma série com o potencial de ter a audiência contemporânea como alvo, temos de reflectir o mundo como ele é”, diz.