Perdido o projecto de Serralves, a Senhora da Hora ganhou uma praça

Câmara de Matosinhos inaugura este sábado a nova Praça das Sete Bicas, junto à ruína da Fábrica da Efanor.

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A praça desenvolve-se em semi-circulos em torno da ruína da antiga fábrica da Efanor Martin Henrik
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Junto à capela da Fonte das Sete Bicas foi construído um pequeno anfiteatro, cujo palco é o adro do templo. Martin Henrik
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Junto à capela da Fonte das Sete Bicas foi construído um pequeno anfiteatro, cujo palco é o adro do templo. Martin Henrik
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Os trabalhos estavam praticamente concluídos e a obra é inaugurada este sábado Martin Henrik
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O estacionamento, com cem lugares, servirá de apoio à estação de metro das Sete Bicas. Martin Henrik
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Os trabalhos estavam praticamente concluídos e a obra é inaugurada este sábado Martin Henrik

O investimento é incomparavelmente menor. E o uso, muito diferente. Nos terrenos envolventes à antiga fábrica Efanor, na Senhora da Hora, abre ao público este sábado a nova Praça das Sete Bicas, um investimento de 600 mil euros que é a alternativa urbanística ao ambicioso e falhado projecto de construção, no mesmo local, do pólo Serralves XXI, que chegou a ser entregue ao atelier japonês Sejima and Nishizawa and Associates mas acabou cancelado em 2010 quando a fundação percebeu que não conseguiria apoios para cobrir os 42 milhões de euros que a obra iria custar.

A Câmara de Matosinhos recuperou a titularidade dos terrenos e encontrou um uso público para este espaço que tem nas imediações a Porto Business School, a poente, a estação de metro das Sete Bicas, a sul, a antiga igreja paroquial da Senhora da Hora, a nascente, e que integra, para já sem qualquer intervenção, a chaminé e um módulo da antiga fábrica Efanor, que vai ser recuperado numa fase subsequente. Ao PÚBLICO, o autarca Guilherme Pinto explicou que ainda está a ser definido um uso para este edificado. “Matosinhos tem muitos e relevantes equipamentos culturais em execução. Não conseguimos cuidar bem de tudo ao mesmo tempo”, assumiu.

A ruína, marcada pela imponente chaminé, chegou a ser alvo de uma candidatura conjunta a fundos comunitários do município e da Fundação Belmiro de Azevedo, que não teve consequência. Agora este património industrial vai ser reabilitado a expensas do município, que deverá investir mais 500 mil euros nesses trabalhos. “Até agora estávamos convencidos que a responsabilidade de reabilitar era da Sonae, mas percebeu-se, detectado um erro dos serviços, que afinal essa era uma responsabilidade nossa”, explicou o autarca, adiantando contudo que vai ser aproveitado, para o efeito, o projecto já elaborado pela arquitecta Susana Mota Freitas, responsável pelo desenho da nova praça.

Assim, mesmo em mau estado, a memória da Antiga Empresa Fabril do Norte, que dá nome à avenida contígua, é o ponto nevrálgico da nova praça, no qual se concentram não apenas os olhares – há uma trepadeira que teima em dar-lhe um ar de ruína-jardim – mas os semi- círculos que, no terreno, configuram as várias áreas. À entrada, um destes semi-círculos serve de estacionamento para uma centena de veículos, num apoio importante ao movimento de pessoas que utiliza a estação de metro contígua e que poderá ser usado para uma finalidade ocasional: a instalação de equipamentos ambulantes de maior dimensão das festas da Senhora da Hora.

Ao centro, áreas de passeio largas, simulando pistas de atletismo e intercaladas por canteiros de aromáticas, cercam o edifício. E a nascente, surge agora um anfiteatro de relva e bancos de betão, que dão outra largueza, e visibilidade, à pequena igreja da paróquia, “que sai valorizada, pois estava muito escondida”, nota Guilherme Pinto. Neste anfiteatro, como no espaço restante, o uso será o que “os habitantes determinarem”, diz o autarca, considerando que a concretização desta obra é, em si, um mudança no urbanismo de Matosinhos, que não apostou na criação de pequenas centralidades nos núcleos urbanos, onde as pessoas possam passear, sentar, ler um livro.      
Neste momento a praça termina no adro da igreja, mas a norte desta há um pequeno parque arborizado que, com o acordo, já alcançado, da paróquia, vai ser brevemente “integrado” nesta nova centralidade. Que tem ainda, a sul, separado apenas pela estreita rua da Fonte das Sete Bicas, um pequeno espaço público ajardinado com árvores bem mais frondosas do que os espécimes jovens agora plantados. Esse jardim tem apenas um posto de transformação da rede eléctrica que alimenta o metro, a estorvar uma maior ligação funcional, e visual, com a praça das sete Bicas, mas Guilherme pinto quer convencer a Metro do Porto a permitir realizar no bloco de betão uma intervenção de arte urbana, que o torne mais um ícone nesta zona da cidade.