China instala mísseis em ilha disputada

O Ministério da Defesa de Taiwan confirmou a instalação de mísseis que terão um alcance de 200 quilómetros.

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Um navio dos EUA passou junto a este arquipélago no mês passado AFP

Imagens de satélite mostram duas baterias de oito lança-mísseis numa ilha ocupada pela China e disputada pelo país, Taiwan e Vietname. As imagens foram divulgadas pelo canal de televisão norte-americano Fox News e confirmadas por Taiwan.

A instalação de mísseis na ilha a que os chineses chamam Yognxing seria “uma clara indicação de militarização no mar do Sul da China, contrariando o que o Presidente Xi [Jinping] tem dito”, afirmou à Reuters o almirante Harry Harris, que chefia o comando do Pacífico dos Estados Unidos.

O ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, descreveu estas informações como uma tentativa “de certos media ocidentais inventarem notícias”. Numa conferência de imprensa em Pequim, o ministro não desmentiu directamente a veracidade das imagens. “Quanto às instalações necessárias e limitadas de autodefesa que a China tem erguido nas ilhas onde há pessoal chinês estacionado, isso é consistente com a autodefesa e preservação a que a China tem direito”, acrescentou.

A Fox cita um responsável norte-americano sob anonimato que diz que as imagens parecem ser de um sistema de defesa aéreo HQ-9, cujos mísseis tem um alcance de 200 quilómetros.

“Supostamente estes mísseis têm um alcance de 200 quilómetros e isso significa que podem atingir os aviões da Força Aérea do Vietname assim que estes levantem voo”, comentou ao Guardian o editor de um jornal estatal vietnamita, que explicou estar à espera de um comunicado oficial do Governo, no final do dia.

O Ministério da Defesa de Taiwan confirmou a instalação de mísseis por parte da China e disse à BBC que estes têm capacidade para atingir aviões civis e militares.

Um porta-voz do Pentágono recusou comentar directamente a questão, afirmando apenas “que os Estados Unidos continuam a apelar a todas as partes para porem fim às reivindicações territoriais e à militarização no mar do Sul da China”.

Estas notícias coincidem com um encontro de líderes do Sudeste Asiático (ASEAN) nos EUA onde as reivindicações territoriais nesta área têm sido discutidas. Presentes, no encontro na Califórnia, estiveram representantes da Tailândia, Malásia, Singapura, Indonésia, Filipinas, Brunei, Vietname, Laos, Birmânia e Camboja.

Na terça-feira, o Presidente Barack Obama apelou à resolução “pacífica” de todos os diferendos na região, pedindo “medidas tangíveis” de diminuição da tensão. Numa alusão à construção de diferentes tipos de instalações, incluindo ilhas artificiais, por parte da China, Obama explicou que estas medidas consistiriam em “cessar todas as alterações e novas construções, colocando termo na militarização de zonas disputadas”.

Num “exercício de liberdade de navegação”, no mês passado, um navio de guerra dos EUA passou junto ao arquipélago das Paracel, que inclui a ilha Yognxing (ou Woddy), onde estão pelo menos mil chineses, a maioria soldados. Pequim descreveu esta acção como “altamente perigosa e irresponsável”, acusando Washington de ser “a maior causa de militarização no mar do Sul da China”.

A China reivindica a quase totalidade deste mar, estratégico para o comércio mundial e rico em recursos. Os territórios deste arquipélago e das ilhas Spratly são disputados por Pequim, Filipinas, Taiwan, Malásia, Vietname e Brunei. 

“O comércio legal não pode ser restrito. Repito que os EUA continuarão a voar, navegar e operar por todo o lado onde o direito internacional o permite”, disse ainda Obama na conferência de imprensa à saída da cimeira com os membros da ASEAN. “E apoiaremos o direito de todos os países a fazer o mesmo.”