PÚBLICO participa em questionário sobre doenças crónicas lançado em dez países europeus

Campanha sobre doenças crónicas convida os leitores a responder a um questionário semanal online, durante cinco semanas. Objectivo: saber o que todos pensamos para assim se combaterem melhor estas doenças.

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Na União Europeia (UE), mais de 100 milhões de pessoas acima dos 15 anos – cerca de um terço da população – sofrem de doenças crónicas não infecciosas, como doenças cardiovasculares, diabetes e cancro. Nos europeus com mais de 65 anos, esse valor já é de 80%. As doenças crónicas não infecciosas causam 86% de todas as mortes na UE e absorvem quase 80% dos orçamentos da saúde. Como inverter esta situação? Para aprofundar o diálogo entre quem tomas as decisões políticas e os cidadãos, o Atomium – Instituto Europeu para a Ciência, Media e Democracia, com sede em Bruxelas, lançou esta semana uma campanha sobre doenças crónicas em dez media europeus, incluindo o PÚBLICO.

Responda aqui ao primeiro questionário

A campanha vai decorrer durante cinco semanas e passa por responder a um pequeno questionário semanal. A partir de agora e durante as cinco semanas, os leitores são convidados a responder a um questionário sobre doenças crónicas não infecciosas, acessível no site do PÚBLICO (em português, a partir de todas as quartas-feiras) e nos restantes nove media que se juntaram à iniciativa (Der Standard, da Áustria; El País, de Espanha; EuroScientist, de França; Frankfurter Allgemeine Zeitung, da Alemanha; Gazeta Wyborcza, da Polónia; La Libre Belgique, da Bélgica; Luxemburger Wort, do Luxemburgo; Sole 24 ore, de Itália; e The Irish Times, da Irlanda).


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Intitulada Participação dos Cidadãos e Campanha nos Media sobre Doenças Crónicas, esta iniciativa é lançada através da plataforma tecnológica REIsearch – uma ferramenta de tecnologias da informação e comunicação promovida pelo instituto Atomium e co-financiada pela Comissão Europeia.

O Atomium é um consórcio de universidades, jornais e empresas destinado a promover a difusão da ciência e uma reflexão sobre uma sociedade baseada no conhecimento, tendo sido criado em 2009 pelo antigo presidente francês Valéry Giscard d’Estaing (actual presidente honorário do instituto) e por Michelangelo Baracchi Bonvicini (actual presidente). E a plataforma REIsearch destina-se a facilitar a ligação entre os cidadãos, os cientistas e os decisores políticos em questões ligadas à investigação científica e aos desafios que a Europa terá de enfrentar no futuro. Esta é a primeira iniciativa da REIsearch e é aí que os questionários da campanha estão alojados.

“Para vencer este desafio ambicioso com os nossos parceiros, optámos por uma abordagem gradual, dirigida a iniciativas ligadas a temas científicos específicos, a começar pelos que têm maior impacto, limitando as funções da plataforma ao essencial”, dizem em declaração conjunta Giscard d’Estaing e Michelangelo Bonvicini.

Além dos dez media, que divulgarão os questionários para um público vasto, a Elsevier, a Mendeley, a OpenAIRE e o Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia difundem-nos mais especificamente junto dos cientistas. E diversas organizações, como a Federação Internacional da Diabetes – Europa, a Sociedade Europeia de Doenças Respiratórias e o Instituto Karolinska, ajudaram a elaborar os questionários.

O questionário desta semana (de 15 a 21 de Fevereiro) tem como tema “A prevenção é a melhor cura”, e está acessível aqui. O que está então disposto a fazer para viver mais tempo? Segundo a Organização Mundial da Saúde, evitar o tabaco, não abusar do álcool nem de junk food e fazer 30 minutos de exercício físico todos os dias poderiam prevenir o aparecimento de até 80% de novos casos de doenças cardíacas, acidentes vasculares e diabetes de tipo 2. Mas na Europa, segundo a informação disponibilizada pelo Atomium, só cerca de 3% dos orçamentos para a saúde pública são gastos em prevenção.

Se não ocorrer uma mudança de paradigma na luta contra as doenças crónicas por parte de toda a sociedade, desde a aplicação de novas políticas até à adopção de estilos de vida saudáveis, receia-se que esta epidemia continue a aumentar. Estima-se que, em 2030, estas doenças matem 52 milhões de pessoas na região europeia. E a Federação Internacional da Diabetes estima que em 2035, no mundo inteiro, haja 500 milhões de diabéticos.

O segundo questionário sobre as doenças crónicas (de 22 a 28 de Fevereiro) vai centrar-se na tecnologia e inovação. Irá a tecnologia vencer a doença? E quem terá acesso a essa tecnologia? O terceiro questionário (de 29 de Fevereiro a 6 de Março) será sobre os direitos e as responsabilidades dos cidadãos. Que valor dá à sua saúde? E que valor dão os outros à saúde? O quarto questionário (de 7 a 13 de Março) vai ser sobre a diabetes e a alimentação. Sabe o que está a comer? É você que controla a sua dieta ou é a dieta que o controla a si? Por fim, o quinto questionário (de 14 a 20 de Março) será sobre mais e melhores dados. O que é que a Big Data pode oferecer aos cidadãos?

“A REIsearch vai ser uma ferramenta útil na implantação de políticas baseadas em provas. Irá ajudar a partilhar conhecimento e permitir que o conhecimento se torne acessível para aqueles que procuram novas soluções”, diz Roberto Viola, director geral para as Redes de Comunicação, Conteúdos e Tecnologias da Comissão Europeia.

Os resultados da campanha vão ser apresentados no final de Abril no Parlamento Europeu e na Comissão Europeia.