Crónica de jogo

Jonas aqueceu a noite do Benfica

Golo no tempo de compensação garante vitória dos "encarnados" sobre o Zenit (1-0), na primeira mão dos oitavos-de-final da Champions.

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Duelo de médios: Renato Sanches num lance aparatoso com o espanhol ex-Benfica Javi Garcia AFP/FRANCISCO LEONG
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Gaitán remata no ar perante a oposição do defesa adversário REUTERS/Rafael Marchante
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Os jogadores do Benfica correm para abraçar Jonas: o golo chegou no final AFP/FRANCISCO LEONG
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André Villas-Boas num jogo que também foi de confronto entre treinadores portugueses REUTERS/Hugo Correia
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Rui Vitória na Luz: o treinador “encarnado” acredita que equipa vai fazer golos fora AFP/PATRICIA DE MELO MOREIRA

Havia vários fantasmas que o Benfica tinha para combater numa noite de regresso à Liga dos Campeões. Não apenas a assombração recente da derrota sofrida cinco dias antes, mas também fantasmas mais antigos, como André Villas-Boas, treinador várias vezes vitorioso na Luz, e Hulk, o poderoso brasileiro que também tinha por hábito marcar na Luz. Durante 90 minutos, o Benfica pareceu ceder a esses fantasmas, mas Jonas não deixou, marcando em tempo de compensação o golo que valeu o triunfo por 1-0, sobre o Zenit, na primeira mão dos oitavos-de-final.

Como prometera, Rui Vitória não guardou recursos para outras batalhas, apresentando o mesmo “onze” que utilizou frente ao FC Porto. Não haveria razão para mudar, porque o treinador gostou do que viu cinco dias antes (apesar do desaire) e uma competição como a Liga dos Campeões merecia o fato de gala que tão bem tem servido aos “encarnados” nos últimos meses. No papel, tudo no lugar, uma equipa com andamento para enfrentar um rival sem um jogo oficial há mais de dois meses.

Mas a falta de ritmo compensa-se quando há entrosamento e maturidade, e o Zenit cumpria estes dois predicados — a equipa russa está bem apurada por André Villas-Boas e não tinha nenhum jogador abaixo dos 25 anos. Era com estes argumentos que o Zenit teria de resistir na Luz porque a intenção do Benfica era fazer um resultado que desse margem de manobra para a segunda mão, daqui a três semanas, em São Petersburgo.

Os “encarnados” assumiram um domínio cauteloso do jogo, com mais bola e presença no meio-campo adversário, por mérito próprio, mas também por estratégia do Zenit, mais fechado e a jogar no erro. O plano de Villas-Boas era limitar ao máximo a capacidade “encarnada” nas alas e obrigar os homens de Rui Vitória a jogar mais pelo meio, onde estavam Javi García e Axel Witsel, velhos conhecidos da Luz, a destruir tudo o que lhes aparecia pela frente. O que passasse, Garay resolvia.

Foi numa das raras incursões pelo flanco que o Benfica quase chegou ao golo aos 19’. Uma bola longa de Samaris vai ter aos pés de André Almeida, que faz o cruzamento para Pizzi, mas o extremo benfiquista, com via livre para a baliza, faz um passe ao guarda-redes Lodygin. Uma oportunidade de golo num jogo que não iria ter muitas, mas sempre com o Benfica mais perto da baliza adversária que os russos das redes de Júlio César. A única vez que o Zenit levou perigo foi num livre rasteiro de Hulk, aos 36’, que passou perto do poste.

Cumprido o primeiro quarto desta eliminatória, a estratégia de Villas-Boas estava a resultar, a de Rui Vitória não. Segurança defensiva contra ataque desinspirado. E foi mais do mesmo durante a segunda parte. O Benfica continuou a dominar e o Zenit a ser competente na resistência. Aos 52’, um pequeno sinal de perigo dos russos. Witsel leva a bola até à área e dá a Júlio César uma boa defesa. Do outro lado, Lodygin trabalhava mais. Na sequência de um canto, aos 69’, Gaitán fica em posição de marcar mas acerta no guarda-redes. Antes, já o argentino tinha falhado o alvo após assistência de Mitroglou.

Os minutos foram passando e a resistência do Zenit parecia nos limites. Jardel quase marcava aos 72’, após toque de Lindelof, e até Eliseu tentou a sorte num remate de longe. Nada. O resultado estava tão frio como a noite. Um minuto depois dos 90’, Criscito faz uma falta perto da área que o árbitro entende ser merecedora de amarelo. Era o segundo e o lateral do Zenit saiu do jogo. Livre de Gaitán, bola na área, cabeça de Jonas e golo, mais um para a larga conta do brasileiro. Vantagem curta mas merecida para o Benfica levar para São Petersburgo.

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