Banco Carregosa alvo de buscas no caso de José Veiga

Banco confirma que elementos da polícia estiveram esta quinta-feira na sua sede, no Porto.

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A investigação foi conduzida pela Polícia Judiciária de Aveiro

Elementos da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ estiveram esta quinta-feira a realizar buscas no Banco Carregosa, uma instituição sedeada no Porto. A informação foi confirmada ao PÚBLICO por fonte policial, que adiantou que estas diligências são feitas no âmbito do processo por suspeitas de corrupção no comércio internacional que envolve os empresários José Veiga e Paulo Santana Lopes, irmão do ex-primeiro-ministro.

O PÚBLICO apurou que José Veiga será cliente do Banco Carregosa, estando a PJ a tentar seguir o rasto do dinheiro que passou pelas contas que detinha naquela instituição. As autoridades portuguesas tentam desvendar como foi possível a José Veiga sinalizar, com mais de dez milhões de euros, a compra do Banco Internacional de Cabo Verde (BICV), um activo do Novo Banco avaliado em 14 milhões de euros. Isto quando é público que integra a lista dos principais devedores ao fisco.  

Contactada pelo PÚBLICO, fonte oficial do Banco Carregosa confirma que uma equipa de investigação esteve nesta quinta-feira na sede do banco, na Avenida da Boavista, no Porto, com um pedido de informações no âmbito de uma investigação em curso. "Estavam investidos do respectivo mandado judicial e todos os pedidos de informação feitos foram satisfeitos", adiantou a porta-voz da instituição. 

O banco, que é presidido por Maria Cândida Rocha e Silva e tem como sócio o empresário Américo Amorim, é especializado na gestão de carteiras de investimento. 

Na passada segunda-feira, o juiz Carlos Alexandre determinou a prisão preventiva de José Veiga e a prisão domiciliária do seu sócio Paulo Santana Lopes. Este último arguido poderá ser libertado se vier a prestar validamente uma caução de um milhão de euros.

Os dois empresários e uma advogada foram detidos na quarta-feira da semana passada, no âmbito da operação Rota do Atlântico, que, segundo a PJ e a Procuradoria-Geral da República (PGR), investiga suspeitas de corrupção no comércio internacional, branqueamento de capitais, tráfico de influências, participação económica em negócio e fraude fiscal.

O inquérito, iniciado em 2014 na sequência de uma carta rogatória das autoridades francesas, foca-se nos milhões de euros que os empresários José Veiga e Paulo Santana Lopes terão angariado em luvas pagas por empresas que queriam investir no Congo, uma antiga colónia francesa, onde ambos vivem. O dinheiro seria depois dividido com altos governantes locais.