O regresso do megalómano Napoleão

Um dos mais megalómanos projectos que o cinema viu acontecer em toda a sua história tem regresso marcado: Novembro, em Londres, com nova partitura musical composta por Carl Davis, um dos mestres contemporâneos da escrita e recuperação de música de e para cinema mudo.

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A nova versão, digitalmente restaurada, da obra de Abel Gance tem estreia marcada para Novembro, em Londres

O final do ano de 2016 verá o regresso às salas de um filme mítico da história do cinema: o Napoleão que Abel Gance estreou em 1927. Há um novo restauro, tido como o mais próximo de sempre da versão de estreia, com cinco horas e meia de duração, dirigido por Kevin Brownlow, historiador e “arqueólogo” britânico de cinema, que passou boa parte da vida a investigar e reconstruir o magnum opus de Gance, e fora já a alma mater do primeiro grande restauro do filme, o de 1981, então contando com o patrocínio financeiro de Francis Ford Coppola. A nova versão, digitalmente restaurada, tem estreia marcada para Novembro, em Londres, com nova partitura musical composta por Carl Davis, um dos mestres contemporâneos da escrita e recuperação de música de e para cinema mudo.

O Napoleão foi um filme histórico, dos mais ambiciosos e megalómanos projectos que o cinema viu acontecer em toda a sua história. Gance planeava filmar toda a vida de Napoleão Bonaparte, numa série de seis filmes. O insucesso comercial e outras dificuldades levaram-no a ficar-se pelo primeiro episódio, que termina com o princípio da campanha de Itália. Logo na estreia o filme teve várias versões, para diferentes mercados, e foi progressivamente encurtado: a versão completa, nunca mais vista, rondaria as nove horas de projecção. Mas não era só “grande”, era também moderno e tecnologicamente inovador: foi o filme inventou o “scope”, o ecran largo, muito antes de ele de facto existir, rodando com três câmaras lado a lado para “esticar” a imagem captada. Durante décadas visto em versões amputadas e incompletas, não deixou ainda assim de despertar imensas vocações, pela grandiosidade e inventiva do gesto de Gance. Noventa anos depois, ou quase, ver-se-á se estas características ainda tocam o público contemporâneo.

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