Convento dá lugar a colégio feminino

O projecto implica a demolição da parte “mais desqualificada”
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O projecto implica a demolição da parte “mais desqualificada” DR

O antigo Convento de Nossa Senhora da Porta do Céu vai ser parcialmente demolido para posterior reconstrução e integração num colégio privado de grandes dimensões cuja construção se iniciou recentemente. Construído no Século XVIII, o conjunto monacal franciscano, do qual fazia parte a actual igreja paroquial de Telheiras, foi vendido em hasta pública em 1834, após a extinção das ordens religiosas. 

Já no século XX, ao mesmo tempo que a sua degradação se acentuava, serviu para usos vários, incluindo habitação, serralharia e taberna, acabando por ser expropriado pela EPUL, à sua então  proprietária, em 1983. Ainda antes da criação da Paróquia de Telheiras, em 2004, a comunidade católica local passou a ocupar parte das suas áreas mais bem conservadas, facto que esteve depois no centro das negociações entre a EPUL e o patriarcado e que levaram, em 2003, à promessa de cedência da parcela da Rua Hermano Alves.

Como a empresa pretendia vender o convento e os terrenos contíguos, num total de cerca de sete mil m2, exigiu a desocupação do monumento, em troca da cedência daquela parcela e das obras que depois fez na igreja. No início de 2012 concretizou a venda da propriedade, em hasta pública, à Socei, uma cooperativa ligada ao Opus Dei e que explora os colégios Planalto e Mira Rio, em Lisboa, Horizonte, no Porto, e Cedros, em Gaia.

Já na posse do terreno e do edifício, a Socei fez aprovar na Câmara de Lisboa, em 2014, com o parecer favorável da Direcção-Geral do Património Cultural, um projecto para a construção, naquele local, do colégio feminino Mira Rio. O estabelecimento deverá acolher 860 alunas, desde a creche ao final do secundário e fica situado na mesma rua e mesmo em frente a uma outra grande escola privada, o Colégio Alemão. 

De acordo com a proposta através da qual a câmara viabilizou o início das obras, em Dezembro passado, o projecto implica “a demolição da parte mais desqualificada e arruinada” do antigo convento “para posterior reconstrução com idêntica volumetria”. Além disso, será construído um novo edifício com uma área de implantação de 3856 m2,  que terá uma superfície de pavimento total de 9114 m2.

Segundo consta dos documentos levados à reunião de câmara, os promotores do colégio apresentaram um estudo de tráfego para o local e o projecto respeita as indicações do Departamento de Gestão da Mobilidade e Tráfego da autarquia.

Desagradados com a decisão de ali autorizar um colégio com aquelas dimensões, em frente a um outro que, a certas horas, já provoca grandes difculdades de circulação no local, mostraram-se entretanto alguns moradores nas ruas vizinhas, que integram o núcleo antigo de Telheiras. 
Em consequência dessas reacções, o Fórum Cidadania Lx dirigiu ao Vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa, na semana passada, um apelo para que a câmara “implemente as medidas necessárias a nível da contenção e da gestão do tráfego automóvel, de modo a que os problemas já existentes, que decorrem da tomada e largada de alunos no Colégio Alemão de manhã e ao final do dia (...), não sejam agudizados pela implantação deste novo colégio”.