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O olhar de um homem na crise da meia idade

Na crise da meia idade, há quem compre um descapotável ou se deslumbre com mulheres mais novas. João Henriques preferiu retomar a fotografia e acabou por vencer a edição deste ano do Prémio Novos Talentos FNAC.

João Henriques
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João Henriques

Os clichés da crise de meia idade garantiam-lhe muitas opções. Comprar um descapotável, arriscar a vida em actividades radicais, recuperar a auto-estima em cirurgias plásticas ou deslumbrar-se com mulheres mais novas. João Henriques preferiu retomar uma ligação relativamente antiga – a fotografia – e acabou por vencer a edição deste ano do Prémio Novos Talentos FNAC.

Licenciado em Gestão, iniciou em 2011 um Mestrado em Fotografia no Politécnico de Tomar. Durante esse período, João Henriques começou a série School Affairs, onde explorou vários conceitos ligados à fotografia, como a escopofilia (“gosto por olhar”), o voyeurismo (observação de uma pessoa em situações íntimas) e o male gaze, que segundo o fotógrafo, pode ser traduzido como o olhar masculino sobre a mulher ou sobre o mundo. “Tratou-se de criar uma ficção, não se tratava em absoluto da minha biografia, isso não teria qualquer interesse, embora estejam presentes traços ou não fossem a biografia e a memória também formas de ficção”, explica João Henriques em entrevista por e-mail ao PÚBLICO. “À distância devo dizer que foi um tempo absolutamente produtivo e divertido”. School Affairs é uma série construída em torno do olhar do homem sobre o corpo da mulher, embora nunca ninguém se dispa perante a câmara. O único nu que aparece é apropriado de outra imagem. “Quando fazia retratos dos colegas da fotografia, coisas não encenadas e espontâneas, apercebi-me da recusa ou da resistência em se deixarem fotografar, sobretudo quando eram imagens que envolviam o rosto. Essas imagens forneceram a base do trabalho, de uma certa ideia de recusa, de não visão, crise identitária, mas ao mesmo tempo de busca e de desejo”, conta o fotógrafo. “Apesar do cliché, não comprei nenhum descapotável, embora a narrativa [do portefólio] pareça dar a ideia de que andei a correr atrás de miúdas mais novas de máquina em punho. Felizmente não se tomou esse rumo”. 

Para além de João Henriques, vencedor do Prémio Novos Talentos FNAC 2016, Flávio Nuno Joaquim e Ricardo Sousa Lopes receberam uma menção honrosa com os portefólios Atlas e Janela para lá, respectivamente.

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