Narrador do último vídeo do Estado Islâmico é de origem portuguesa

Steve D. A. é responsável do Media Front, estrutura de propaganda do EI.

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Imagem do vídeo narrado por Steve D. A., que nasceu no Luxemburgo e é filho de pais portugueses DR

O narrador do último vídeo do autoproclamado Estado Islâmico (EI), divulgado há cerca de uma semana, é de origem portuguesa. Os serviços de segurança admitem que se trata de Steve D. A., nascido no Luxemburgo, e há muito apontado como um dos máximos responsáveis dos serviços de propaganda desta organização terrorista.

No vídeo, numa edição com narração em francês, duas setas castanhas penetram pelo Norte da Península Ibérica com uma mancha a estender-se sobre Portugal e Espanha, reivindicando o Alandalus, um dos objectivos do califado. E são feitas duas referências concretas às cidades espanholas de Toledo e Córdova.

Steve, que nasceu no Luxemburgo e que tem família em Portugal, residente na zona de Aveiro – embora os seus pais tenham emigrado de Trás-os-Montes para o grão-ducado –,  integrou o primeiro grupo de jihadistas portugueses, entre 12 a 15 elementos, que, em 2014, rumou para a Síria. Foi em Agosto daquele ano, então com 27 anos, que se instalou em território sírio.

O seu envolvimento na denominada Media Front do EI, o sector de propaganda, advém dos seus profundos conhecimentos em informática e vastos recursos na utilização das redes sociais. Uma vertente fundamental para uma organização que combina a modernidade comunicacional, os vídeos, com o mais antigo preceito da barbárie, a decapitação.

As autoridades portuguesas não têm conhecimento da passagem de Steve D. A. por território nacional. Em 2014, a sua presença na Síria coincidiu com a de Sandro “Funa”, em finais de Outubro daquele ano a primeira baixa entre os jihadistas portugueses do EI na sequência de ferimentos graves devido a um bombardeamento aéreo. Nascido em Portugal e de origem cabo-verdiana, Sandro rumara para Londres em 2007, onde se converteu ao islão e se radicalizou posteriormente em mesquitas da capital britânica.

Nas fileiras do EI em território sírio estavam também, e entre outros, Fábio, Celso, Edgar e Patrício. Este último, Patrício Saraiva, de família natural de Angola, foi apontado pelos serviços de informação britânicos e ocidentais como ideólogo da organização terrorista. Ele e Steve D. A. eram os únicos portugueses ou luso-descendentes referenciados com responsabilidades no EI.

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