De PJ Harvey a Sigur Rós: já há cartaz para o Nos Primavera Sound

Destroyer, Savages, Animal Collective, Explosions in the Sky ou Beach House são outros nomes que se juntam aos Air e a Brian Wilson, anteriormente confirmados, para o festival que decorrerá de 9 a 11 de Junho no Parque da Cidade do Porto.

Fotogaleria
PJ Harvey
Fotogaleria
Animal Collective
Fotogaleria
Savages
Fotogaleria
Sigur Rós

Nas últimas semanas já se sabia que iríamos contar com os franceses Air e com o histórico Brian Wilson, que virá apresentar Pet Sounds, o álbum mítico dos Beach Boys de 1966. Faltava o resto do cartaz da quinta edição do Nos Primavera Sound do Porto.

Ele aí está, com Destroyer, Battles, Tortoise, Animal Collective, Chairlift, Moderat, Dinosaur Jr, Deerhunter, Savages, Julia Holter, Ty Segall, Mudhoney, Parquet Courts, US Girls, Shellac, Car Seat Headrest, Loop, Wild Nothing, Cass McCombs, Autolux, Holly Herndon, Floating Points, Empress Of, Explosions in the Sky, Beach House, Algiers, Bardo Pond, BEAK>, The Black Madonna, Fort Romeau, Freddie Gibbs, Kiasmos, Manel, Mueran Hermanos, Drive Like Jehu, Neil Michael Hagerty & the Howling Hex, Protomartyr, Roosevelt, Royal Headache, Titus Andronicus e Unsan.

Portugal estará representado pelos Linda Martini, Sensible Soccers – ambas as formações com álbuns novos a editar proximamente – e White Haus, o projecto a solo de João Vieira dos X-Wife.

Um dos grandes destaques é a britânica PJ Harvey, que lançará a 15 de Abril o novo álbum, The Hope Six Demolition Project. Gravado com os colaboradores habituais, John Parish e Flood, no estúdio Somerset House, em Londres, nasce depois de um período de viagens ao Kosovo, ao Afeganistão e a Washington, nos Estados Unidos. O álbum sucede a Let England Shake, de 2011, obra de sonoridade intensa e poesia sombria que, do que já se conhece do universo do novo registo, parece ser agora intensificado.

Quem também tem álbum novo são as britânicas Savages, que depois de um primeiro disco, e de concertos inesquecíveis, em que devolveram vigor e drama ao rock, regressaram com mais uma dose de adrenalina com Adore Life. Já tocaram diversas vezes em Portugal, mas o concerto que talvez mais memória deixou foi o primeiro, no Primavera Sound do Porto, em 2013. O álbum de estreia havia sido lançado poucos meses antes. Eram pouco conhecidas ainda. Mas o último dia do festival foi seu. Quem as viu nessa altura percebeu de imediato que estava perante algo de muito especial. Em Junho, regressarão ao mesmo local.

Estreantes no festival do Porto são os islandeses Sigur Rós, banda que teve grande impacto nos anos 2000, devido a uma sonoridade com tanto de grandioso como de celestial. Ao que parece poderão estar a trabalhar no sucessor de Kveikur de 2013.

Aliás o rock, longe do modelo clássico de canção, irá estar bem representado, com os Tortoise, Battles, Explosions In The Sky ou BEAK>, projecto paralelo de Geoff Barrow dos Portishead, todos eles privilegiando abordagens predominantemente instrumentais. Para apresentar o novo álbum, Painting With, a editar nas próximas semanas, estarão presentes os americanos Animal Collective, que parecem ter regressado aos seus discos mais jubilosos e coloridos. Não muito longe desse universo, outros americanos, os Deerhunter de Bradford Cox, que lançaram o ano passado o excelente Fading Frontier.

Para doses de rock, tal como ele era praticado nos anos 1980 e 1990, todas as atenções viradas para os americanos Dinosaur Jr e para os Mudhoney, desde sempre associados ao grunge da Seattle dos Nirvana, enquanto as variações mais contemporâneas do rock estarão a cargo de Ty Segall ou dos Parquet Courts. A pop de características electrónicas dos Chairlift, US Girls e Empress Of, ou, noutra perspectiva, dos Beach House, ou do projecto canadiano Destroyer, são outros focos de atenção.

Duas das mulheres que mais têm feito por dotar a pop de características exploratórias nos últimos anos – as americanas Julia Holter, que virá apresentar as canções de Have You in My Wilderness, e Holly Herndon, que tratará de expor o seu último laboratório de ideias, intitulado Platform – também estão confirmadas, o mesmo acontecendo com a revelação do ano passado, Car Seat Headrest.

Do lado do hip-hop americano abram-se alas para Freddie Gibbs e, numa perspectiva mais experimental, para Floating Points, parceiro de Flying Lotus na editora deste, enquanto a electrónica de dança é representada pelos alemães Moderat ou o inglês Fort Romeau.

Na sua quinta edição o Nos Primavera Sound do Porto já não constitui uma surpresa. Já toda a gente sabe ao que vai, numa mistura de assistência multinacional, comida regional e ambiente informal, com o parque verde da cidade em fundo e um design global do espaço cuidado.

Parte do sucesso da ideia Primavera Sound iniciada há 15 anos em Barcelona, reside na ligação de confiança que a organização foi estabelecendo com quem tem uma relação de proximidade com a música. Todos os anos o cartaz contempla grupos emergentes, gente com percurso consolidado e veteranos que continuam actuais, numa selecção com mais de 50 nomes.

Em termos de géneros musicais as diversas cambiantes do rock são privilegiadas, mas também existe espaço para outras famílias estéticas. Dos nomes sonantes que vão estar na edição deste ano em Barcelona, de 1 a 5 de Junho – e não figuram no cartaz do Porto –, destacam-se os Radiohead e os Tame Impala (que irão estar no Nos Alive) e os LCD Soundsystem (que tocam em Paredes de Coura).

Mas quem estiver no Parque da Cidade, de 9 a 11 de Junho, terá muito para escolher, com quatro palcos (Primavera, Super Bock, ATP e Pitchforkmedia) a proporcionarem concertos em simultâneo. O passe geral para o festival custa 90 euros.