Homens e mulheres vão poder rezar juntos no Muro das Lamentações

Decidida a criação de uma zona mista junto ao local mais sagrado do judaísmo, apesar da oposição dos ultra-ortodoxos.

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Um das "mulheres do muro" durante uma oração junto ao Muro das Lamentações Amir Cohen/Reuters

O Governo israelita aprovou a criação de uma secção de oração mista para homens e mulheres no Muro das Lamentações em Jerusalém, uma decisão considerada “histórica” e que põe fim a uma controvérsia que dura há mais de um quarto de século.

Esta decisão, anunciada domingo ao início da noite, prevê a criação de um terceiro espaço de oração junto ao Muro, o local mais sagrado do judaísmo, para além dos dois espaços que são reservados separadamente aos homens e às mulheres e que são geridos pelos judeus ultra-ortodoxos.

Há anos que estes se opunham a que as mulheres inspiradas por um judaísmo liberal e que se agrupam na associação “As mulher do muro” rezassem no espaço reservado às mulheres, por considerem as suas práticas contrárias à tradição. O braço-de-ferro entre ultra-ortodoxos e as “mulheres do muro” chegou mesmo a traduzir-se em vários incidentes violentos entre os dois grupos ao longo dos últimos anos.

O compromisso a que se chegou agora, elaborado pelo director da Agência Judaica, Natan Sharansky, prevê a criação de um terceiro espaço aberto aos judeus não-ortodoxos de ambos os sexos. Foi, como seria expectável, saudado pelos movimentos liberais do judaísmo e denunciado pelos judeus ultra-ortodoxos.

“Ao tomar esta decisão, o Estado reconhece a plena igualdade das mulheres no “kotel” (muro da Lamentações) e a liberdade de escolha sobre a forma de judaísmo praticado em Israel”, escreveram as “mulheres do muro” na sua página do Facebook.

“Aplaudimos esta decisão histórica de Israel”, felicitaram-se as federações judaicas dos Estados Unidos, bem como vários movimentos reformistas de judeus norte-americanos. Este compromisso “envia uma forte mensagem aos israelitas e aos judeus na diáspora sobre a importância do pluralismo judaico”, refere o comunicado que chegou dos EUA. Já os judeus ultra-ortodoxos israelitas denunciaram uma “afronta” às tradições.

A nova zona de oração, cuja data de inauguração ainda não é conhecida, será gerida por uma comissão composta por membros do Governo e de membros da associação “As mulheres do muro”.