Protesto de lesados do Banif marca início da cimeira entre Açores e Madeira

Os governos açoriano e madeirense começaram este sábado a Cimeira Atlântica, que, quase uma década depois, assinala o reatar de relações institucionais entre os dois arquipélagos. O início dos trabalhos ficou marcado por um protesto de lesados do Banif

O Banif encerrou 17 agências no ano passado
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O Banif encerrou 17 agências no ano passado Catarina Oliveira Alves

As regiões autónomas dos Açores e da Madeira iniciaram este sábado uma reaproximação histórica, com a visita a Ponta Delgada de uma comitiva do executivo madeirense, mas o retomar de relações entre os dois arquipélagos ficou marcado por um protesto de lesados do Banif que aguardavam à porta do Palácio de Sant’Ana.

O assunto não foi esquecido na conferência de imprensa conjunta que Vasco Cordeiro, chefe do executivo açoriano, e o homólogo madeirense Miguel Albuquerque, promoveram no início dos trabalhos, na sede da Presidência do Governo dos Açores.

“O Estado não pode ter dois pesos e duas medidas”, defendeu Albuquerque, contabilizando em cinco mil os clientes do banco nos Açores e na Madeira que eram obrigacionistas subordinados à data da resolução do Banif. “Estão em causa poupanças de uma vida inteira”, sublinhou o governante madeirense, pedindo que não exista tratamento diferenciado entre os depositantes do BES e do Banif.

Vasco Cordeiro partilhou das preocupações, lembrando que Funchal e Ponta Delgada tudo fizeram para que os depósitos, os postos de trabalho e o número de agências fossem salvaguardados neste processo. “É um assunto sensível, e temos que ter cautela para não criar falsas expectativas nas pessoas”, argumentou o presidente açoriano, preferindo realçar o retomar as relações entre as duas regiões autónomas, que não acontecia desde 2007.

“Vai contribuir para um novo patamar nas relações entre as duas regiões”, vincou, garantindo que existe uma vontade comum em dar uma “natureza mais concreta” a este relacionamento, ao contrário do que aconteceu nos anteriores encontros.

A cimeira, que os dois governos regionais pretendem que passe a realizar-se periodicamente, termina nesta segunda-feira com uma declaração conjunta, em que o reforço das autonomias deverá constar em ambos os discursos.

O encontro pretende marcar uma nova fase no relacionamento institucional entre as duas regiões que, nos últimos anos, foi distante e pautada por crispações políticas entre Carlos César e Alberto João Jardim.

Na agenda consta a visita a quatro ilhas do arquipélago – São Miguel, Pico, Faial e Terceira – e a assinatura de protocolos em áreas como as pescas, agricultura, turismo, indústria, comércio e investigação.

Antes, neste domingo, sempre em São Miguel, as duas comitivas visitam unidades industriais e agrícolas, e apresentam protocolos de cooperação, partindo no final da tarde para o Pico, para o segundo dia do encontro.

Esta visita surge na sequência de um convite do presidente do Governo dos Açores ao seu homólogo da Madeira, formulado em Agosto de 2015, e tem por objectivo estabelecer pontes para um discurso conjunto, tanto em Lisboa como em Bruxelas, em assuntos de interesse comum.