Crítica

As amigas de Marta

Tentativa simpática, mas insuficiente, de variação feminina sobre Os Amigos de Alex.

Foto
Jogo de Damas: mais pose do que emoção

Jogo de Damas é uma nova tentativa de fazer em Portugal “cinema do meio” - um drama adulto naquele esquivo meio-termo entre o “populista” e o “autoral” em que, no seu melhor, gente como José Fonseca e Costa ou António-Pedro Vasconcelos se especializou. A tentativa só por si já merece simpatia, mas o filme acaba por nunca estar à altura da proposta; apesar do empenho de um óptimo elenco, os diálogos de Filipa Leal são demasiado “escritos”, soam demasiado pensados na boca de personagens que têm as emoções à flor da pele, e Jogo de Damas transforma-se numa variação feminina sobre a matriz de Os Amigos de Alex que substitui a melancolia nostálgica por uma amargura paredes-meias com o azedo e não traz nada de especialmente novo nem interessante a esse formato.

Cinco amigas passam juntas a noite antes do funeral de uma sexta, na casa de turismo rural que a falecida pretendia abrir, e abrem todas as “caixinhas de Pandora” de segredos que se mantinham por dizer — esse constante pingar de desenvolvimentos, com uma revelação nova a acontecer praticamente todos os 15 minutos e tudo a ser resolvido à pressa ao aproximar da hora e meia, trai o passado de ficção televisiva da equipa do filme, e sugere uma vocação de telefilme frustrado. É pena, porque as actrizes, que “ferram o dente” nas suas personagens, mereciam melhor, e porque Patrícia Sequeira filma com eficaz desenvoltura, mesmo que anónima. Mas tudo em Jogo de Damas é mais pose do que verdadeiramente emoção, mais artificial do que genuíno. É, ainda assim, um projecto simpático.