Impala vai voltar às negociações com credores

A Lisgráfica, um dos principais credores, reclama sete milhões de euros à dona das revistas Nova Gente e Maria, que vai avançar para um novo PER.

Grupo editorial tem cerca de 200 trabalhadores
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Grupo editorial tem cerca de 200 trabalhadores Público

A Descobrirpress, do grupo Impala, que tem revistas como a Maria, a VIP e a Nova Gente, vai voltar a tentar negociar a dívida de cerca de 50 milhões de euros com os seus credores. O Tribunal de Sintra aceitou em Dezembro passado o pedido de um novo Plano de Revitalização Especial (PER) para tentar viabilizar o grupo editorial que emprega cerca de 200 trabalhadores.

Por enquanto “ainda não foi apresentado novo plano de recuperação aos credores”, apenas foi nomeado, a 23 de Dezembro, o administrador judicial provisório, esclareceu ao PÚBLICO fonte oficial da Lisgráfica, uma das maiores credoras do grupo liderado por Jacques Rodrigues.

O grupo de impressão sedeado em Queluz foi responsável pela revogação de um primeiro PER da Impala, que tinha sido aprovado em Abril passado pelo Tribunal de Sintra, considerando que seria penalizada face aos demais credores na recuperação de uma dívida que já chega aos sete milhões de euros.

“Pelo facto de o plano não permitir a possibilidade de recuperação do IVA, a Lisgráfica concluiu que o valor que iria receber no caso de insolvência seria sempre superior ao valor que teria direito no PER”, explicou a empresa ao PÚBLICO. O valor a recuperar “era inferior a 200 mil euros”, que seriam recebidos em 17 anos”, adiantou a Lisgráfica, explicando que foi feito um “conjunto de cálculos e mesmo com recuperação residual do património da Descobrirpress o valor seria sempre muito superior ao valor obtido pelo PER”.

Os sete milhões que a Lisgráfica reclama à Impala incluem os quatro milhões de euros que esta empresa já tinha sido condenada em tribunal a entregar à gráfica em Maio de 2014, por falta de pagamento dos serviços de impressão das várias revistas do grupo até 2010. Ao valor da dívida somam-se ainda “os respectivos juros e o crédito reclamado mas não aceite na condenação”, explicou a Lisgráfica.

Os últimos dados públicos sobre o passivo da Impala são de Março do ano passado e referiam a existência de uma dívida total de aproximadamente 50 milhões de euros, dos quais 11 milhões a fornecedores, oito milhões à Segurança Social, 328 mil euros à Autoridade Tributária e cinco milhões a colaboradores do grupo. A estas dívidas acresciam cerca de 25 milhões de euros relativos a processos judiciais em curso, detalhou ao PÚBLICO fonte do grupo de impressão.

A Lisgráfica tem em curso o seu próprio PER, que “transitou em julgado em Dezembro de 2013” e está a ser “cumprido integralmente em relação a todos os credores”, registou um prejuízo de 1,4 milhões de euros no primeiro semestre do ano.

Ainda assim, no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa presidida por Luciano Patrão destacou o comportamento positivo do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), que teve um aumento homólogo de 15%, para 1,2 milhões de euros.

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