Crónica de jogo

Lá se fazem, cá se pagam

Benfica venceu o Arouca sem sobressaltos, “vingando” a derrota sofrida na primeira volta do campeonato. Equipa de Rui Vitória teve uma noite tranquila e ainda viu Gaitán regressar aos relvados

Rafael Marchante/Reuters
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Rafael Marchante/Reuters

Um golo logo a abrir ajudou a desfazer as dúvidas e transformou a recepção do Benfica ao Arouca (3-1) quase numa formalidade. No reencontro com a primeira equipa que lhes tirou pontos no campeonato, os “encarnados” nunca precisaram de carregar a fundo no acelerador para “vingarem” a derrota da 2.ª jornada. Pizzi, Mitroglou e Jonas ofereceram a Rui Vitória o sexto triunfo consecutivo na I Liga, que valeu a subida à liderança da classificação, ainda que de forma temporária.

Por entrar em campo antes do Sporting, o Benfica tinha a oportunidade de colocar pressão sobre os “leões” e não a desperdiçou. Uma entrada forte e uma eficácia demolidora deram uma vantagem confortável, que permitiu aos “encarnados” gerir a partida e evitar sobressaltos. Com a confiança reforçada, houve condições para o regresso de Gaitán, que começou a partida no banco de suplentes e foi lançado no segundo tempo, voltando aos relvados três semanas depois.

Após um triunfo na Taça da Liga, Rui Vitória recuperou a formação mais próxima daquilo que se tem visto ao Benfica no campeonato, com apenas duas novidades de nacionalidade grega: Samaris regressou à titularidade, ocupando o lugar do lesionado Fejsa no meio-campo, enquanto Mitroglou foi o escolhido para fazer dupla com Jonas na frente de ataque, relegando Raúl Jiménez para o banco de suplentes. O Arouca, que na 2.ª jornada vencera os “encarnados” por 1-0, apresentou na Luz exactamente o mesmo “onze” que alinhou de início nesse fim de tarde de Agosto, em Aveiro.

Só que, desta vez, a equipa de Lito Vidigal não ofereceu a mesma resistência ao Benfica, e Pizzi inaugurou o marcador logo aos três minutos: na sequência de um lançamento lateral, a bola foi colocada na área, com Jonas a cabecear para Pizzi – este reagiu mais depressa do que toda a gente e fuzilou autenticamente a baliza com um remate imparável. Os “encarnados” continuaram a ameaçar e chegaram ao 2-0 alguns minutos depois. Após um pontapé de canto, Lisandro López deu a bola para Mitroglou e o grego, de costas para a baliza, marcou com um toque de calcanhar e uma pitada de classe.

O ritmo tornou-se muito mais morno, com o Benfica a abrandar, mas, mesmo assim, a estar mais perto da baliza adversária. Em desvantagem, o Arouca não mostrou capacidade para incomodar Júlio César. Foi preciso esperar pela segunda parte para que o guarda-redes “encarnado” fosse solicitado: o remate de Artur foi desviado para canto (51’).

O descanso fez bem ao Arouca, que mostrou uma cara diferente com a entrada de Maurides para o ataque. O possante avançado provocou um par de calafrios à defesa do Benfica, primeiro de cabeça (61’) e depois com o pé esquerdo (63’), mas errou o alvo em ambas as ocasiões. E essa falta de eficácia seria castigada pelos “encarnados”, que chegaram ao 3-0 pouco depois: num lance em que Mitroglou e Jonas surgiram ombro com ombro na área do Arouca, Bracali defendeu o primeiro remate do grego, mas não conseguiu travar a recarga do brasileiro, que chegou aos 19 golos nesta edição da I Liga.

E isso só não foi o ponto final na partida porque o Arouca se recusou, mesmo assim, a baixar os braços. A equipa de Lito Vidigal chegou ao golo já no período de compensação, por intermédio de Velázquez, e já depois de Mitroglou e Talisca terem desperdiçado oportunidades para fazer o 4-0.

Mas isso não foi suficiente para estragar a noite do Benfica e de Rui Vitória. Os pontos ficaram na Luz e a missão estava cumprida.