Marcelo recebido por Rui Moreira em campanha “espontânea”

Candidato foi taxativo ao dizer que é “contra” as subvenções vitalícias.

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Miguel Manso
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A caminhada está quase a chegar ao fim. “O sapato está em estado calamitoso. Já andou muito quilómetro e está muito velhinho”, diz Marcelo Rebelo de Sousa ao engraxador assim que se senta na cadeira, na Avenida dos Aliados, no Porto. Enquanto é puxado o brilho aos sapatos pretos, à volta do candidato forma-se uma roda de gente, muitos que o querem ver – “Ólha ali o professor Marcelo” -, cumprimentar e tirar fotografias, mas também alguns a reclamar. “A mim não me deram a reforma e vocês têm reformas vitalícias”, gritou um homem irritado, exigindo que Marcelo “faça alguma coisa”. O candidato foi, pela primeira vez, taxativo: “Sou contra as subvenções vitalícias”.

Sentado na cadeira do engraxador, Marcelo ia respondendo às solicitações conforme podia. Tirou fotografias com estrangeiros – “Iceland? So far away [Islândia? tão longe]” - e abriu com curiosidade um saco cheio de medicamentos de uma mulher – “Isto é uma fortuna” – que se queixava de falta de ajuda do Estado para uma filha com paralisia cerebral.

Outros pediram-lhe “trabalho para os jovens” e outros ainda afiançaram estar ao seu lado no próximo domingo: “Os ciganos vão votar em si”. Naquela cadeira, costuma sentar-se o “presidente Menezes”, afirmava o engraxador. Mas era de outro presidente de que Marcelo queria ouvir falar. Rui Moreira, o independente que conquistou a câmara do Porto ao PSD/CDS e que esta quinta-feira recebeu o candidato na autarquia.

“É de facto uma pessoa extraordinária, não acha?”, desafiava o candidato, mas sem grande sucesso na resposta. Pouco tempo antes, ao início da tarde, Marcelo esteve reunido mais de meia hora com o autarca que, no final do encontro, não falou aos jornalistas. Ficou a imagem da despedida entre os dois.

Marcelo gosta da comparação entre a sua candidatura e a de Moreira, que concorreu contra Luís Filipe Menezes, apoiado pelo PSD. “A candidatura do presidente Rui Moreira foi independente e é independente e a minha nasceu e mantém-se independente. Nessa óptica trocámos impressões sobre como é avançar com candidaturas independentes e sobre o que isso é importante para a democracia”, disse, acrescentando que o autarca teve “o voto dos cidadãos do Porto que ultrapassou os partidos”.

A “coincidência” justifica o encontro que não estava previsto na agenda. Não foi a única. Logo de manhã, a sua filha, Sofia Rebelo de Sousa, apareceu na campanha, em Marco de Canaveses. Uma “surpresa maluca” – comentou o candidato. A filha admite ver o pai na televisão já “cansado” e sobre o próximo domingo foi contida, dizendo apenas esperar “o melhor para todos os portugueses”. Ficou na imagem o abraço forte entre os dois. A filha acompanhou o pai ao longo do dia e também no passeio pela Avenida dos Aliados, que também foi um improviso.

Marcelo não se cansa de dizer que a sua campanha passa ao lado das regras “clássicas” de “mobilização de massas”, sem “almoços nem jantares” nem os típicos comícios nem arruadas em Santa Catarina ou no Chiado. “Isso está muito visto”, disse, assegurando que a sua campanha é “espontânea”. Mesmo quando em Marco de Canaveses tinha populares à sua espera, debaixo de chuva miudinha, além do presidente da Câmara, Manuel Moreira. “O presidente dirá se vieram à força. Espero que tenham sido espontâneas”, respondeu Marcelo. Ao seu lado, Manuel Moreira disse que foi divulgada a visita do candidato, mas não através da autarquia.

Marcelo não teve ninguém da actual direcção do PSD em toda a campanha – excepção feita aos líderes das distritais que apareceram discretamente -  mas somou apoios de sociais-democratas como Ângelo Correia, Manuela Ferreira Leite, Assunção Esteves e Leonor Beleza.

E esta espontaneidade chega para vencer à primeira volta? “Acho que sim”, diz o candidato, sustentando que na eleição presidencial o voto se conquista com base “numa aposta pessoal e confiabilidade pessoal”. E não com programas de Governo. Mais uma vez, o candidato colocou-se na posição do moderador: o Presidente “deve cooperar com governos mais à esquerda, mais à direita, mais estatizante, mais liberal”.

Questionado sobre que “linhas vermelhas” tem para decidir dar posse ou derrubar um governo, Marcelo recusa comprometer-se: “A baliza das balizas é a Constituição”. Um dia depois de ser conhecido o apoio de José Mourinho, o candidato faz o paralelo com o futebol. “A minha ideia não é chegar lá de apito na boca e na primeira ocasião marcar penalti”, disse, admitindo que pode haver uma “carga” que não estava prevista e que “mereça penalti”.

O Presidente deve levar o “apito” na predisposição de “só o utilizar quando é verdadeiramente necessário”. E que situações serão essas? O candidato não revela.