Torne-se perito

Governo fecha esta quarta-feira venda da CP Carga

O contrato de venda de 95% do capital da CP Carga à operadora ferroviária suíça MSC garantiu ao Estado receitas de dois milhões de euros.

Com a entrada do concorrente, a CP Carga vai ficar com uma frota sobredimensionada
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Vitória da MSC na privatização da CP Carga foi anunciada em Julho MANUEL ROBERTO

A conclusão da venda da empresa ferroviária de transporte de mercadorias à Mediterranean Shipping Company Rain - Operadores Ferroviários (MSC), pelo valor de 53 milhões de euros, celebra-se na quarta-feira numa cerimónia à porta fechada, na sede da CP, em Lisboa, adiantou a empresa em comunicado.

Este é um negócio herdado do anterior Governo que segue em frente mesmo depois de o PCP ter apresentado, em Novembro, um diploma que pedia a reversão da privatização da empresa de transporte de mercadorias. A CP Carga, tal como a TAP, foi um dos temas que ficou de fora dos acordos de Governo do PS com os partidos à sua esquerda.

Em Dezembro, a Autoridade da Concorrência (AdC) deu luz verde à venda da CP Carga à MSC, a última etapa para a concretização do negócio, depois de o anterior Governo ter assinado o acordo com o vencedor do concurso a 21 de Setembro de 2015 (o resultado foi anunciado em Julho).

“A CP informa que a proposta vencedora e seleccionada contém um plano estratégico de expansão da actividade da empresa, o que, no seu entender, confere o conforto necessário quanto ao futuro dos atuais trabalhadores da CP Carga”, refere a nota da empresa presidida por Manuel Queiró.

Os trabalhadores da empresa ttêm-se manifestado contra a conclusão do processo de privatização, tendo hoje mesmo convocado uma greve para 28 de Janeiro, dia em que farão uma acção de protesto que se inicia na Avenida da República e terminará no Ministério do Planeamento e Infra-estruturas, que tem a tutela da empresa.

No passado dia 13, o ministro do Planeamento e das Infra-estruturas, Pedro Marques, disse que o processo de privatização da CP Carga estava em curso, realçando que a suspensão não está prevista nem no programa de Governo nem nos acordos políticos com o PCP e com o Bloco de Esquerda (BE).

"Como sabem, não estava nem no programa de Governo nem nos acordos políticos. Essa empresa não estava entre as que era prevista a reversão [da privatização]", afirmou na altura Pedro Marques, no Aeroporto de Lisboa, à margem da apresentação de novos investimentos da ANA - Aeroportos de Portugal.

A MSC Rail vai investir 53 milhões de euros na CP Carga, empresa detida pela CP -- Comboios de Portugal que se dedica ao transporte de mercadorias, recebendo da casa-mãe material circulante no valor de 110 milhões de euros.

Segundo o antigo secretário de Estado dos Transportes, a multinacional suíça assumiu o compromisso de capitalizar a CP Carga em 51 milhões (dinheiro que servirá para assumir as dívidas da empresa de transporte de mercadorias à sua “casa mãe”, a CP, e à IP – Infra-estruturas de Portugal) e ofereceu dois milhões pelas acções, tendo apresentado a melhor proposta financeira, face à da Atena Equity Partners, no valor de 45,5 milhões de euros, e à da Cofihold, de 30 milhões de euros.

Aquando da decisão, Sérgio Monteiro referiu ainda "um conjunto de matérias nomeadamente de assunção de dívidas que foram contempladas na proposta da MSC", referindo o pagamento de dívidas a entidades públicas [CP e Infra-estruturas de Portugal], à conversão de dívida comercial e o número de locomotivas que precisam de ser transferidas.

A MSC Rail assume ainda na sua proposta "um compromisso de estabilidade laboral", disse o governante, acrescentando que o número de postos de trabalho deverá aumentar, tendo em conta o aumento da competitividade da empresa em mãos privadas. A MSC - Operadores Ferroviários era um dos principais clientes da CP Carga.

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