Loulé oferece metade da receita do Carnaval às Instituições de Solidariedade do concelho

O município investe mais de 300 mil euros no cartaz carnavalesco, com a política no centro da brincadeira. O tema deste ano, “O Grande Naufrágio", coloca Passos, Portas e Cavaco a “flutuar” num mar de incertezas.

Foto
No desfile, vão estar representados poetas assim como caricaturas de personalidades do desporto e da política Dário Cruz

A política é o principal tema glosado pelo Carnaval de Loulé, com corso marcado para os dias 6, 7 e 9 de Fevereiro. Nesta edição, Cavaco Silva é caricaturado, na figura de “náufrago”, visido com um colete salva-vidas, e que tenta rumar a porto seguro. Já Passos Coelho e Paulo Portas, agarrados a uma bóia, flutuam num oceano de incertezas. O “Grande Naufrágio” é o tema de 2016, procurando recriar, de forma humorística, os tempos da vida política nacional.

Palhó, um dos criativos do evento, aguarda o resultado das presidenciais para decidir como vai conceber o navio que representará a República. “Se houver segunda volta, vão todos a bordo, dentro de barris”, diz, evocando um episódio da banda desenhada Astérix, de Albert Uderzo e René Goscinny. 

No concelho de Loulé, além do corso que decorre na Avenida José da Costa Mealha, realizam-se, também, festejos em honra do Entrudo em Quarteira e Alte. 

Cumprindo a tradição, a sátira dá o mote à folia. Vão longe os tempos em que as festividades contavam, essencialmente, com o voluntarismo das populações e pouco mais. Mas a concepção e realização do corso, nas últimas décadas, profissionalizou-se a partir de uma estrutura montada pelo município. Contudo, o presidente da câmara, Vítor Aleixo, anunciou nesta segunda-feira, em conferência de imprensa, que se mantém o espírito de solidariedade que esteve na origem da criação do evento, há 110 anos. 

E acrescentou uma novidade: “Metade da receita da bilheteira, vai para as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSSS) do concelho”, sublinhou.

A câmara municipal prevê investir, nos festejos carnavalescos programados para este ano, mais de 300 mil euros. O preço de entrada no recinto é de dois euros. 

“No carnaval da minha infância, os carros eram feitos quase em segredo e às escondidas”, evocou o autarca, destacando a importância que ainda é dada a esta tradição, de raízes populares. 

Em termos de representação artística do corso, são os bonecos de grandes dimensões, caricaturando políticos e outras figuras públicas, o que mais dão nas vistas, em cima dos carros alegóricos. O resto da festa é o costume, que se repete em muitas localidades portuguesas — o samba a marcar o ritmo da folia.

Ainda do ponto de vista plástico, observa Palhó, “o corpo do boneco, de ano para ano, é reciclado”. O que muda, diz, é a “cabeça, e agora há cabeças novas a mandar”. Por isso, a chanceler Angela Merkel, “desta vez, fica no estaleiro”. Já no que diz respeito ao ainda Presidente da República, Cavaco Silva, deixou de ocupar o lugar de “timoneiro” do corso para surgir no cartaz do evento — com Passos e Portas, a preparar a viagem marítima até à praia da Coelha (Albufeira), onde possui casa de férias.