Crónica de jogo

Benfica manteve a tradição na Amoreira

“Encarnados” chegaram ao intervalo a perder, mas deram a volta ao resultado na segunda parte, voltando a depender de si próprios para chegar ao título de campeão.

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Mitroglou festeja com Renato Sanches o primeiro golo do Benfica na Amoreira José Manuel Ribeiro/AFP
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André Almeida num despique com o avançado do Estoril Gerso Fernandes José Manuel Ribeiro/AFP
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Golo de Pizzi e reviravolta no resultado: os jogadores do Benfica correm para festejar com os adeptos José Manuel Ribeiro/AFP
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Jonas com Mattheus: o líder dos goleadores da Liga desta vez ficou em branco José Manuel Ribeiro/AFP
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Renato Sanches voltou a trabalhar muito no meio campo José Manuel Ribeiro/AFP

Os bons resultados frente ao Estoril, na Amoreira, são uma tradição para o Benfica que só ali perdeu uma única vez e já há 69 anos. Neste sábado não foi excepção, mas a equipa da casa ainda sonhou em fazer história quando abriu o marcador aos 11’. O conjunto de Rui Vitória reagiu no segundo tempo e deu a volta ao resultado, vencendo por 2-1 e diminuindo para apenas dois pontos a distância para o líder Sporting.

Depois da traumatizante derrota caseira frente aos “leões” (0-3) à passagem da oitava jornada, ninguém diria que os “encarnados” iriam moralizar-se para minimizar os estragos na classificação. Na realidade, os bicampeões nacionais transfiguraram-se e venceram todos os compromissos que se seguiram para o campeonato, excluindo o jogo em atraso com a União (0-0), na Madeira, disputado a meio de Dezembro, mas referente a um jogo em atraso, relativo à sétima ronda. Já são dez triunfos em jornadas consecutivas que voltaram a fazer sonhar os adeptos com um desejado tricampeonato, que parecia um sonho há um par de meses.

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Apostando na mesma equipa que rendeu duas goleadas nas duas jornadas anteriores, frente ao Marítimo (6-0) e Nacional (1-4), Rui Vitória teve, desta vez, que sofrer frente ao Estoril. Mas tudo poderia ter sido diferente se o ataque dos lisboetas tivesse sido mais eficaz nos primeiros instantes disputados num Estádio António Coimbra da Mota repleto e transformado numa mini Luz. Entre os oito e os nove minutos, foram três as soberanas oportunidades criadas pelos visitantes, uma delas com o poste a evitar mais um golo de Jonas. Era o resultado de uma entrada determinada dos “encarnados”, que sofreu um duro revés pouco depois, fruto de uma maior eficácia da equipa da casa. No primeiro lance ofensivo dos “canarinhos”, Anderson Luís cruzou da direita para a área, onde o inevitável Léo Bonatini antecipou-se a Lisandro e rematou para golo.

Começava mal o jogo para o conjunto de Rui Vitória, que passou a acusar alguma intranquilidade e precipitação colectiva e individual. Mesmo assim, procurou responder prontamente à desvantagem, mas, mais uma vez, faltou inspiração atacante, nomeadamente a Jiménez, que desaproveitou um brinde da defesa estorilista, permitindo a defesa de Kieszek, quando se encontrava isolado, aos 14’.

A equipa orientada pelo brasileiro Fabiano Soares reorganizou-se e conseguiu criar alguma aflição na área benfiquista através de rápidas transições atacantes. Defensivamente também melhorou. A vantagem ao intervalo acabava por se justificar.

Para a segunda metade, Rui Vitória trocou Jiménez por Mitroglou e foi bem-sucedido. Depois de uma primeira ameaça do grego, aos 49’, o ponta-de-lança empatou o encontro, aos 52’. Um cruzamento atrasado de André Almeida foi transformado em golo por Mitroglou, num remate à meia-volta, com a bola a tocar ainda em Diogo Amado e a trair Kieszek.

Um golo que premiava a avalanche atacante dos lisboetas nos instantes iniciais do reatamento. A pressão “encarnada” anunciava o segundo golo e ele surgiu mesmo aos 68’, após Jonas assistir Pizzi que bateu o guarda-redes “canarinho” pela segunda vez, com um remate rasteiro cruzado. Instantes antes, no lance mais caricato do encontro, os benfiquistas já tinham reclamado o segundo, quando Kieszek retirou uma bola que poderá ter ultrapassado a linha de baliza.

O Estoril raramente conseguia estender o seu jogo pelo campo e só aos 70’ fez entrar o guarda-redes Júlio César em acção, pela primeira vez em toda a partida (a segunda foi já nos descontos).

A vitória foi plenamente justificada pelo Benfica, essencialmente por aquilo que fez no segundo tempo, e a equipa da Luz voltou a depender de si própria para poder festejar o título.