Kengo Kuma diz que não copiou estádio olímpico de Zaha Hadid

Arquitecto japonês defendeu em conferência de imprensa diferenças entre os dois projectos.

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O projecto de Kengo Kuma
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O projecto de Zaha Hadid

Kengo Kuma, autor do novo Estádio Olímpico de Tóquio, negou nesta sexta-feira ter copiado o desenho de Zaha Hadid, a arquitecta britânica de origem iraquiana a quem originalmente o equipamento desportivo foi encomendado.

O arquitecto japonês contestou as acusações feitas pelo atelier de Zaha Hadid (Prémio Pritzker em 2004) de que o novo projecto tinha "semelhanças impressionantes" com o original, noticiou o The Japan Times.

O projecto de Hadid, vencedor em 2012 do concurso de arquitectura internacional, foi substituído por causa dos custos previstos de construção que não paravam de subir, tendo sido fortemente criticado por nomes da arquitectura japonesa - uma das mais influentes do mundo - como Toyo Ito e Sou Fujimoto devido à sua escala.

A arquitecta defendeu-se com uma subida de 25 por cento dos custos de construção no mercado japonês, mas foi afastada quando o orçamento atingiu os 1,9 mil milhões de euros. O preço do estádio de Kuma está estimado em 1,1 mil milhões de euros e tem uma abordagem mais ecológica, utilizando madeira.

Esta semana o Conselho Japonês dos Desportos reteve os pagamentos finais a Zaha Hadid e o atelier da arquitecta disse ao Japan Times que lhe exigiram que renunciasse aos direitos de autor para receber o dinheiro em atraso.

“No desenho, queria dizer que não há qualquer semelhança,” respondeu Kuma numa conferência de imprensa com os correspondentes estrangeiros, citado pelo jornal britânico The Guardian. Kuma lembrou que um projecto como este tem que obedecer a muitas regras, um constrangimento que se reflecte obrigatoriamente no desenho final dos dois arquitectos. Trata-se de um estádio a ser construído no local do antigo estádio nacional, datado de 1964, e é preciso colocar 80 mil espectadores sentados.

 “As condições do concurso significam obrigatoriamente que apareçam algumas semelhanças”, sublinhando o arquitecto japonês que “o conceito é completamente diferente”. “É um edifício absolutamente diferente apesar das semelhanças”.

No site da arquitecta, está um comunicado datado de Dezembro, quando o novo projecto para o estádio foi apresentado, que começa por lamentar “o tratamento chocante” dado a uma equipa internacional de arquitectos e engenheiros, bem como às respeitadas equipas de projecto japonesas com quem trabalharam. As razões do afastamento “não foram por causa da arquitectura ou do orçamento” e "muito do nosso desenho e cortes apresentados foram validados pelas notáveis semelhanças entre o layout pormenorizado do nosso estádio e a configuração das bancadas do desenho anunciado [por Kuma].”

O arquitecto japonês apontou uma série de diferenças, comparando o estádio de Hadid a um "selim" com os lados levantados, enquanto ele tentou fazer o estádio o mais baixo e achatado possível para minimizar os custos de construção e enquadrá-lo na paisagem.

Está previsto que a construção termine em 2019 e que o Estádio seja inaugurado em 2020, na habitual cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos.