Nuno Melo defende que futuro líder do CDS não deve imitar Portas

Vice-presidente não quis anunciar na RTP3 se é candidato, mas disse que, a avançar, gostaria de ter Cristas na sua lista.

Nuno Melo anuncia nesta quinta-feira se é candidato à liderança do CDS
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Nuno Melo anuncia nesta quinta-feira se é candidato à liderança do CDS Bruno Simões Castanheira (arquivo)

Nuno Melo, vice-presidente do CDS, defende que o futuro líder do partido deve evitar ser uma imitação de Paulo Portas e não ter medo de comparações com o passado. Em entrevista à RTP3, na noite desta quarta-feira, o eurodeputado escusou-se a revelar se é candidato à presidência do partido, mas disse ter tido várias conversas com outra possível candidata, Assunção Cristas.

No novo ciclo, a partir de Abril, quando Paulo Portas deixar de presidir ao partido, Nuno Melo considera que o sucessor deve olhar para a frente e não permitir que o partido seja o “portismo” sem Portas. “O pior contributo de um futuro líder seria dar uma imitação quando o original está próximo, felizmente é jovem e tem muita vida pela frente. O novo líder tem que marcar a sua liderança e sem medo de comparações em relação ao passado”, disse.

Depois de remeter o anúncio da sua decisão para esta quinta-feira, ao meio-dia, Nuno Melo sublinhou a ideia de necessidade de união do partido, que tem várias sensibilidades, nesta fase da sucessão. “O fim do ciclo de Paulo Portas não tem que significar um partido que se vai balcanizar, radicalizar, e deixar de ser um referencial de estabilidade”, sustentou, depois de revelar que tem mantido conversas com Assunção Cristas, também vice-presidente.

A última conversa será esta quinta-feira antes do anúncio, revelou, admitindo que, se avançar, gostava de a ter na sua lista. E deixou um elogio à ex-ministra da Agricultura: “Tem uma justificada apreciação positiva por parte da comunicação social que lhe concederia maior estado de graça que alguma vez me daria.”

Apesar de não ter feito qualquer anúncio esta noite, o centrista disse que a sua decisão não está directamente relacionada com “a vontade de ganhar um congresso”, mas sim que seja o melhor para o partido. “Na minha decisão pesará a melhor garantia que possa ter de que, comigo ou sem mim, o CDS terá uma boa solução, que será percebida pelo país como uma garantia de credibilidade e de estabilidade”, disse.

Nuno Melo disse ter ponderado vários aspectos, incluindo o de poder assumir o lugar de deputado na Assembleia da República, que depende da vontade de os nomes do CDS que estão à sua frente na lista por Braga renunciarem ao mandato. Disse não ter ainda informação sobre essa disponibilidade.          

Questionado sobre como se posiciona — liberal ou conservador —, Nuno Melo disse ser do “centro-direita”. Assumiu-se como “conservador, embora a agenda económica, as correntes liberais fazem sentido, valores de sempre do CDS, da democracia cristã”. Lembrou que foi contra a alteração da lei do aborto, opôs-se ao casamento de pessoas do mesmo sexo (a favor de uma união civil) e não defende a adopção de crianças por casais do mesmo sexo.

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