Sim, ele pôde. Mas menos do que queria

Obama sairá da Casa Branca com um balanço positivo, por entre alguns fracassos e incógnitas.

Sete anos passados sobre a sua feérica e esperançosa chegada à Casa Branca, e naquele que será o seu último discurso perante o Congresso (mas não o seu último acto enquanto Presidente), Barack Obama fez uma defesa convicta do seu legado ao mesmo tempo que lançava um olhar optimista sobre o futuro. Mas em que consiste, na verdade, o legado de Obama como Presidente dos Estados Unidos da América, para lá de a sua eleição ser já em si um facto histórico? Há várias coisas comprováveis: a saída da crise financeira e económica, com um pacote de estímulo à economia; a melhoria dos cuidados de saúde, o chamado Obamacare (que não foi tão longe quanto ele queria mas concretizou algo que nenhum outro presidente conseguira no último meio século); a normalização das relações com Cuba, tabu herdado da Guerra Fria (pendente, ainda, o fim do embargo económico); um acordo com o Irão para desmantelamento do seu programa nuclear; a abolição da política que proibia, de forma camuflada, a presença de homossexuais nas Forças Armadas; e um bom acordo na Cimeira do Clima, em Paris, a par de um bom investimento em energias limpas. A par disto, falhou noutras áreas: apesar de ter sido durante a sua presidência que foi localizado (e morto, em condições que geraram polémica) Bin Laden, o responsável número um pelos ataques às Torres Gémeas, não conseguiu avanços no Médio Oriente nem na Síria, enquanto avançava, ameaçador, o autodenominado Estado Islâmico; retirou as tropas do Afeganistão e do Iraque (países que não estabilizaram), mas não fechou Guantánamo, como prometera; e não conseguiu, e autocriticou-se por isso, uma melhoria nas relações entre a Presidência e o Congresso, que até se extremaram. Até sair, talvez tente ainda fechar Guantánamo ou avançar no plano (iniciado) de maior controlo no uso das armas por civis. Mas mesmo que falhe, pode deixar o lugar de cabeça erguida, pois o seu legado é positivo.