Câmara afasta perigos de separador arborizado e promete controlar velocidade na 2ª Circular

Segundo o vereador Manuel Salgado, que garante que serão acolhidos os contributos “pertinentes” da consulta pública, a obra deverá ter início em Junho. Todos os trabalhos que impliquem a supressão de vias serão feitos à noite.

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A instalação de um separador central arborizado em parte da Segunda Circular, e o perigo que ele poderá representar para quem lá circula, foi um dos aspectos mais questionados pelos intervenientes na sessão de esclarecimento sobre a obra da Câmara de Lisboa realizada esta quinta-feira à tarde. Em resposta, os autores do projecto defenderam que esse perigo não existe se for respeitado o novo limite de circulação de 60 quilómetros/hora, acrescentando que serão instalados novos e mais eficazes dispositivos de controlo de velocidade para garantir que tal acontece.

A sessão, que foi organizada pela publicação Transportes em Revista,  mobilizou mais de 60 pessoas. No palco do auditório do Auditório do Alto dos Moinhos estiveram, para apresentar o projecto de requalificação da Segunda Circular e para responder às perguntas dos presentes, o vereador Manuel Salgado, o coordenador da equipa responsável pela proposta, Vasco Colaço, um dos autores do projecto de arquitectura paisagista, José Veludo, e o responsável pela componente de obra, Nuno Martins.

Durante mais de duas horas, foram muitas as dúvidas colocadas sobre o projecto da câmara, cujo prazo de consulta pública foi recentemente adiado até ao dia 29 de Janeiro. Além dos muitos aspectos técnicos que foram suscitados por uma plateia com muitos engenheiros e outros profissionais ligados à área dos transportes, ouviram-se perguntas sobre a iluminação, o controlo de velocidade, a criação de passeios, a localização das paragens de autocarros, o porquê de não se instalar uma via exclusiva para transportes públicos e a eliminação prevista da ligação da Azinhaga das Galhardas à Segunda Circular.

Nas várias intervenções que fez, o vereador Manuel Salgado frisou que a proposta da câmara “não está em consulta pública só para se dizer que está em consulta pública” e deixou a garantia de que as questões consideradas “pertinentes” serão acolhidas. A previsão do autarca com os pelouros do Planeamento e das Obras Municipais é que a obra de que tanto se tem falado, e que segundo diz “é de facto para realizar”, possa ter início “em Junho”.

Em relação à forma como decorrerá a intervenção, que tem um prazo estimado de 300 dias, as explicações couberam a Nuno Martins, que fez saber que todos os trabalhos que impliquem a supressão de vias de rodagem ocorrerão durante a noite, ficando o período do dia reservado para “trabalhos acessórios” que não impliquem alterações de circulação.

“Para nós é importante intervir na Segunda Circular. Não é uma questão de calendários, é uma questão de resolver um problema que tem sido sistematicamente adiado”, afirmou Manuel Salgado, já depois de lembrar que nesta via morreram cinco pessoas entre 2012 e 2014. Segundo explicou o autarca, dos cerca de dez milhões de euros que custará esta intervenção, 8,5 milhões têm a ver com a requalificação dos pavimentos (que terão maior aderência e provocarão menos ruído), com a intervenção no sistema de drenagem e com aspectos como a sinalização e a iluminação.

Considerando que ninguém “discorda” de que se façam esses trabalhos, e que “não é possível” fazê-los com apenas quatro ou cinco milhões de euros, o vereador notou que “as árvores são trocos no meio disto tudo”. Segundo adiantou, a instalação do separador central e a plantação de árvores e arbustos não custarão mais do que 1,5 milhões de euros, valor que inclui ainda as novas paragens de autocarros que serão instaladas (nas localizações actuais) e os guarda-corpos que serão colocados junto a elas.

Manuel Salgado respondia assim a alguns dos intervenientes na sessão, que manifestaram dúvidas sobre a arborização da Segunda Circular. Um deles sugeriu que face às “condições financeiras do país” seria de “cortar” essa componente do projecto, enquanto outros, entre os quais o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, sublinharam os perigos de um separador central.

A sua existência, notou esse responsável, “agrava de forma muito significativa os riscos de danos corporais graves” em caso de acidente. “Não é pelo simples facto de se pôr lá um sinal que a velocidade é reduzida”, notou também José Miguel Trigoso, cuja intervenção foi depois secundada por outro participante, para quem o separador “é um elemento de insegurança”.

Em nome da equipa responsável pelo projecto de arquitectura paisagista, José Veludo defendeu a importância das árvores, explicando que com elas se pretende “trazer a natureza para dentro da Segunda Circular e tirar um bocado o estigma de via rápida”. “Só foi possível introduzir as árvores porque se alterou a velocidade”, vincou ainda, acrescentando que “faltam-nos muito mais árvores em Lisboa do que estradas”.

Em relação à velocidade, e ao cumprimento do limite de 60 quilómetros/hora que deverá ser fixado, Vasco Colaço notou que está prevista “a implementação de um sistema de controlo de velocidade mais eficaz”. De acordo com aquilo que explicou, passará a haver um “controlo da velocidade média” de circulação na Segunda Circular (possivelmente a partir de três pontos) e não apenas em locais específicos desta via.

Quanto às preocupações manifestadas pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves, segundo o qual o projecto em discussão “pode pôr em grave risco” os aviões que operem no Aeroporto de Lisboa, Manuel Salgado assegurou que a câmara tem estado em “diálogo permanente” com a ANA – Aeroportos de Portugal para “acautelar o problema da segurança aeroportuária”.   

A todos os que estão preocupados com os problemas que poderá trazer o aumento do número de pássaros na Segunda Circular, o autarca frisou que as árvores não serão plantadas “na zona do aeroporto” ou “nos cones de aproximação” a esse equipamento. “Não estamos a propor ter pombais ao longo da Segunda Circular”, rematou com ironia.

Também esta quinta-feira, o vereador do CDS na câmara, João Gonçalves Pereira, dirigiu à presidente da Assembleia Municipal de Lisboa um pedido para que organize “um grande debate público” sobre esta obra, que “irá afectar de modo decisivo a circulação e a mobilidade em Lisboa” e contra a qual “são já muitas as vozes que se levantaram”. 

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