Mais de 70% das empresas do sector marítimo são familiares

Estudo global apresentando esta quarta-feira em Lisboa defende uma estratégia integrada ao nível das indústrias, dos países e das regiões. Portugal ocupa o 21.º lugar no ranking das principais zonas económica exclusivas.

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Mais de 70% das empresas que operam no sector marítimo em todo o mundo são empresas familiares que conseguem “executar planos numa perspectiva geracional em vez de trimestral”. E esta é, segundo o primeiro estudo LEME Mundo, que sintetiza o estado da economia do Mar a nível mundial, e que é apresentado nesta quarta-feira em Lisboa, um bom indicador da escala temporal que é necessária para o desenvolvimento de estratégias no mar. 

“Uma escala muito mais longa do que os tempos deste mundo digital consegue tolerar”. “É preciso ‘capital paciente’”, “uma perspectiva de longo prazo” e, sobretudo, “uma estratégia integrada”, não só ao nível das indústrias mas também ao nível dos países e das regiões. O estudo também identifica os três elementos essenciais para pôr em marcha a referida abordagem integrada: um governance adequado, pessoas bem preparadas e a tecnologia e equipamento específicos.

O estudo foi realizado pela PwC Portugal, e o seu lançamento marca o início de um ciclo internacional de conferências e debates sobre economia do mar promovidos pela PwC Global nos principais centros de decisão económica dos cinco continentes. Desde há dez anos que a consultora tem um núcleo de especialistas em economia do mar que se dedica ao estudo e produção de conhecimento sobre o sector produzindo anualmente o LEME, o Barómetro PwC da Economia do Mar, cuja sexta edição vai ser apresentada numa sessão que conta com a presença da Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino. Nele é possível perceber que as oportunidades já estão identificadas e que os desafios continuam por resolver.

O papel que a estratégia de Portugal pode vir a ter no desenvolvimento da economia mundial percebe-se na relevância da posição que o país ocupa no ranking das principais zonas económicas exclusivas: um 21.º lugar, conseguido pelos seus 1,7 mil milhões de quilómetros quadrados. Isto quando, em todo o globo, se admite que o potencial da economia do mar é tão vasta como o próprio oceano: mais de 70% do planeta é coberto por água e até agora penas 5% do leito marinho foi analisado e fotografado. Portugal também aparece mencionado no ranking dos países com capacidade instalada em termos de energia eólica offshore, em 14.ª, com tanta potência instalada como a Noruega (2MW). Este item é dominado pelo Reino Unido, com uma quota de 51,3% do total de capacidade instalada.

Na última mensagem produzida pelo Observatório da Cooperação na Economia do Mar, que é presidido por António Saraiva (da Confederação da Indústria Portuguesa) chamava a atenção para o crescimento verificado nos últimos anos, do volume de carga movimentada nos portos portugueses, e dos turistas que chegam a Portugal através dos cruzeiros ou das exportações das indústrias do pescado como demonstradoras que “mesmo em período de dificuldades macroeconómicas, o recurso mar oferece ao país grandes oportunidades de crescimento e de desenvolvimento”.

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