CNA teme redução de apoios aos agricultores

Confederação reclama reprogramação do Plano de Desenvolvimento Rural (PDR 2020) anunciada pelo actual ministro da agricultura e apela a um reforço do investimento público na agricultura familiar.

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Há um "buraco" de 200 milhões nos apoios aos agricultores, diz o ministro da Agricultura, Capoulas Santos Patrícia Martins

Depois da confirmação por parte do Ministério da Agricultura de que a “reprogramação” do Programa de Desenvolvimento Rural – PDR2020 feita pelo anterior Governo de Pedro Passos Coelho vai ser retirada, a Condeferação Nacional da Agricultura (CNA) contestou, nesta quarta-feira, a possibilidade de o investimento público na agricultura voltar a ser reduzido e apelou à criação de um sub-programa específico para a apoiar a agricultura familiar.

A proposta do executivo de Pedro passos Coelho, recorda a CNA, incidia sobre um reforço de 200 milhões de euros para as medidas agro-ambientais, que seriam pagas pelos Orçamentos de Estado em cinco anos – “ portanto, à média de 40 milhões de Euros por ano”, contabilizam os agricultores, para logo lembrar que esta situação já se repercutiu nos pagamentos feitos em 2015.

“O Ministério da Agricultura e o Governo não devem, agora, vir 'sangrar' as verbas destinadas a outras medidas do PDR2020 para pagarem os compromissos assumidos com o citado reforço das medidas agro-ambientais. No contexto, também devem ser assegurados os pagamentos de outros compromissos e satisfeitas as expectativas criadas a agricultores e organizações agrícolas a nível das várias medidas do PDR 2020”, apela a CNA.

A confederação reclama que as disponibilidades financeiras que venham a ser apuradas no âmbito do PDR 2020 sejam prioritariamente destinadas à criação de um sub-programa específico para a pequena agricultura (agricultura familiar) e, também, aos programas, a promover pelas organizações agro-rurais, para apoio aos agricultores.

Em declarações ao Diário Económico, Caloupas Santos, ministro da Agricultura, Capoulas Santos, disse não concordar com a reprogramação feita pela tutela de Assunção Cristas e admitiu que iria fazer uma "reprogramação do PDR2020 com algumas melhorias". O ministro diz que "não há desistência" nos apoios ao sector e garante que o anterior executivo deixou um buraco de 200 milhões de euros "ao assumir compromissos que superam as dotações disponíveis".

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