Quatro mortos em ataque a hospital dos Médicos Sem Fronteiras no Iémen

Organização diz que tanto a aviação saudita como os rebeldes xiitas tinham sido informados da localização da unidade.

mais de seis mil pessoas morreram desde Março no Iémen
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mais de seis mil pessoas morreram desde Março no Iémen Mohammed Huwais/AFP

Quatro pessoas morreram e dez ficaram feridas quando um “projéctil” atingiu uma clínica gerida pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) no Norte do Iémen, o terceiro ataque contra instalações apoiadas pela organização médica no país em poucos meses.

O grupo não atribuiu o ataque a nenhum dos beligerantes, mas Raquel Ayora, responsável pelas operações no Iémen, assegura que tanto a aviação saudita (que lidera a aliança mobilizada em apoio ao governo) como os rebeldes da tribo xiita houthi (que controlam a zona atacada) são regularmente informados sobre as coordenadas GPS das clínicas geridas pela organização. “Não é possível que alguém com capacidade para efectuar raides aéreos ou lançar rockets não soubesse que o hospital Shiara era uma unidade médica em funcionamento”, lamentou a responsável.

O projéctil – no Twitter os MSF falaram inicialmente no disparo de um “rocket”, mas a informação foi depois alterada – destruiu vários andares do hospital e entre os feridos contam-se três funcionários da organização, dois dos quais estão em estado crítico.

O ataque é o pior sofrido pelo grupo, que em Outubro viu um das suas clínicas ser destruída num raide da aviação civil, sem que ninguém tenha ficado ferido. Dois meses depois, a organização acusou os mesmos aviões de terem atacado uma unidade móvel de saúde em Taiz, cidade no sudoeste que é disputada há meses pelos dois lados, provocando nove feridos.

A guerra no Iémen escalou em Março quando a Arábia Saudita, à cabeça de uma coligação sunita, iniciou os bombardeamentos contra os rebeldes houthi, depois de estes terem tomado a capital, Sanaa, e entrado na cidade portuária de Áden.

Mais de seis mil pessoas, incluindo 2800 civis, morreram desde então e o conflito, que afecta directamente 80% da população, agravou ainda mais a fome e as epidemias naquele que era já o mais pobre e um dos mais instáveis países árabes.

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