Gulbenkian anuncia exposição para comemorar “gestão comum” do museu e do CAM

Penelope Curtis é desde 1 de Janeiro directora dos dois museus da fundação.

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Penelope Curtis (segunda a contar da esquerda), nas escadarias da Tate Britain, em 2013 Olivia Harris/Reuters

Os nomes do Museu Gulbenkian e do Centro de Arte Moderna (CAM) não vão desaparecer, mas pela primeira vez a Fundação Calouste Gulbenkian usa a palavra “fusão” para descrever a estrutura que é dirigida pela britânica Penelope Curtis, lê-se num anúncio sobre a programação do 60.º aniversário da Fundação Calouste Gulbenkian.

Elisabete Caramelo, directora de comunicação da Fundação Gulbenkian, diz que prefere usar as expressões “gestão comum” ou “gestão integrada”, porque o museu e o CAM continuarão a existir com as suas identidades próprias. Penelope Curtis, esclarece Caramelo, é desde 1 de Janeiro directora dos dois museus. Esta exposição, continua Caramelo, "será o primeiro momento em que as duas colecções se vão cruzar desde que há gestão integrada", embora pontualmente, no passado, algumas exposições tivessem ensaiado já, num e noutro edifício da fundação, essa filosofia.

A nova directora do Museu Gulbenkian, que chegou em Setembro, recebeu como missão criar até 2017 uma estrutura unificada para as actividades no âmbito das artes plásticas e decorativas, plano que foi conhecido quando o seu nome foi revelado em Março. Mas, entretanto, Isabel Carlos, a directora do CAM desde 2009, antecipou em um ano o fim do seu mandato e saiu em Dezembro. Nessa altura, soube-se também que a nova estrutura teria apenas uma directora, Penelope Curtis.

O anúncio da programação, enviado na quinta-feira às redacções, diz que no Verão será inaugurada a exposição 60 anos – Mais ou Menos, que “permitirá um olhar sobre a justaposição de duas colecções e de duas versões do moderno ao longo do século XX”.

O Museu Gulbenkian alberga a colecção de Calouste Gulbenkian, cerca de seis mil peças que vão desde a antiguidade clássica à pintura europeia de Manet ou Turner, enquanto o CAM juntou uma colecção de arte moderna e contemporânea portuguesa, tendo um núcleo importante de arte britânica do século XX.

Curtis, que fez um doutoramento sobre escultura do século XX, dirigiu a Tate Britain, onde foi responsável pela reorganização da colecção, num período em que este museu londrino consagrado à arte britânica, de 1500 à actualidade, se renovava. Em Lisboa, e ainda segundo o mais recente anúncio da Gulbenkian, a historiadora de arte prepara-se para fazer o mesmo no próximo Verão começarão a ver-se os primeiros resultados de uma "reformulação faseada da exposição permanente do museu".